segunda-feira, abril 30, 2012

[Jornal + | 28/04/2012] Regresso a "casa"

Neste ano e meio que já passou desde que me mudei para a Dinamarca, tenho visitado Portugal com alguma regularidade. Sensivelmente de três em três meses volto à terra, visito a família, revejo os amigos, sereno o coração, aqueço a alma e acalmo a saudade.

Cresci numa família muito unida e muito presente na vida uns dos outros. A minha família paterna vive praticamente toda na porta ao lado e a materna, apesar de mais distanciada, ainda assim está a uns meros quilómetros que se fazem até a pé. Por isso, sempre tive contacto com todos eles. Via os meus tios, primos e avós, senão todos os dias, pelo menos uma vez por semana. E isso é seguramente uma das coisas de que mais sinto falta: estar perto. Perto dos que mais importam para mim.

Sempre que volto a “casa” – e agora uso as aspas para me referir àquela em que cresci – tenho a sensação que deixei o meu quarto tal qual o encontro, apenas umas horas antes, naquela mesma manhã, como se nunca tivesse partido. É estranho. Mas é incrivelmente reconfortante saber que o meu quarto está ali, sempre igual, meu. A minha mãe tem feito questão de deixar tudo como sempre esteve. Até alguma da “tralha” que foi ficando na secretária e que até hoje lá continua.

Normalmente quando estou por terras lusitanas, fico por uma semana, mas sabe sempre a pouco... Ficam sempre sítios por visitar, coisas por fazer, pessoas por encontrar... Na última visita, por altura da Páscoa, aproveitei para fazer uma nova tatuagem: “Time flies but you're the pilot.” (o tempo voa mas és tu que és o piloto). A história por trás desta marca que agora é parte do que sou, está intimamente ligada ao momento mais doloroso pelo qual passei até hoje. E se alguma lição pude tirar desse momento, com certeza a mais importante foi a de aproveitar cada segundo, cada porta que se abre, nunca esperar pelo amanhã, pelo depois... É no fundo isso também que estou a fazer ao viver esta incrível oportunidade que me apareceu no caminho.

Tenho agora uma vida completamente diferente daquela que tinha em Portugal, e estou habituado a ela. Vejle é agora a minha cidade, esta é agora a minha casa e tenho a secretária de onde escrevo esta “carta” também já repleta de “tralha”. Há coisas que não mudam, não importa onde estejamos!

Se um dia regressarei a Portugal? Há dias em que sinto que nunca cheguei a partir realmente...
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domingo, abril 15, 2012

[Jornal +] Quanto vale um sonho

Nota introdutória: o Jornal + é um projecto de um conhecido meu dos tempos de escola e sobre o qual já escrevi noutra altura. Agora parece que comecei a escrever uma espécie de crónica para uma página do jornal intitulada "Correio Internacional". O Arménio Santos, editor do Jornal, apelidou-me simpaticamente de Cavaleiro da Dinamarca, nome esse também de uma obra infantil de Sophia de Mello Breyner Andresen. Segue-se então a transcrição do texto publicado na edição desta semana.

A 3 de Outubro de 2010, com apenas 21 anos, estava eu a aterrar no aeroporto de Billund, o segundo maior da Dinamarca, prestes a começar a maior aventura da minha vida: ser adulto!

É certo que, de acordo com a lei portuguesa, já o era desde 25 de Março de 2007, mas até então continuava a viver sob o tecto dos meus pais, tinha toda a minha família a viver literalmente à minha volta ou a pouquíssimos kilómetros de distância, permanecia livre de grandes responsabilidades, ocupava grande parte do meu tempo com os estudos e com os meus hobbies, via os mesmos amigos que sempre estiveram do meu lado pelo menos uma vez por semana... e de repente tudo mudou.

De um dia para o outro, estava a viver sozinho, longe de tudo o que conhecia e tive como certo a vida toda, fora do meu país, por minha total conta e risco. E no dia seguinte começava a trabalhar, oficialmente, com um contrato, com um ordenado, num trabalho “de verdade”, pela primeira vez.

Se por um lado, muitos me consideraram um sortudo pela oportunidade que estava a ter, um previligiado até, eu, por outro, tive de me abstrair de real dimensão da mudança que estava a fazer à minha vida para realmente poder apreciar o início desta minha grande aventura em terras dinamarquesas. Com apenas 21 anos estava a realizar um dos meus maiores sonhos: tornar-me num LEGO Designer.

É isso que faço hoje, um ano e meio já passados e cá continuo a criar e a escrever na história de uma das maiores e mais adoradas empresas de brinquedos do mundo. Continuo apaixonado pelo meu trabalho e é com um sorriso que cheguei ainda hoje à minha secretária, mas só eu sei o verdadeiro preço que estou a pagar para viver o meu sonho. Afinal, não se pode ter tudo, não é verdade?


Vamos ver como corre esta aventura e se vou tendo tempo para lhe dar continuidade.

Até logo.
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quarta-feira, abril 04, 2012

Rachei a cabeça depois de "velho"...

Tanto tempo se tem passado nestes últimos meses sem que nada de relevante aconteça ao ponto de eu querer (ou poder) partilhar aqui... Mas na última semana esta tendência foi completamente revertida. No entanto, só agora tive um tempinho para vir aqui escrever.

Desta vez, e para me obrigar a passar menos tempo no computador durante estas ferias, deixei-o em casa e viajei apenas com o iPad. É dele mesmo que vos escrevo neste momento (entretanto passei para o portátil da minha mãe, porque não estava a conseguir formatar o texto no iPad).

Pois bem, començando então o relato dos acontecimentos pelo principio...

Rachei a cabeça pela primeira vez depois de "velho"!

Ora, é mesmo verdade! No dia 27 de Março, recebi a primeira fornada de móveis enviados pelo meu pai. Já estou a viver no meu apartamento sozinho há quase meio ano, mas vocês também devem conhecer o dito: "casa de ferreiro, espeto de pau"... E até para mim isso se verificou! Mas pronto, pelo menos valeu a pena a espera. Tive a oportunidade de ter os móveis como queria, feitos para mim, à minha medida... Sempre é melhor do que ir ao IKEA e comprar aqueles móveis de segunda qualidade e feitos em série, iguais aos de tantas outras pessoas. Tem de haver alguma vantagem em ter um negócio de mobiliário na família! :)


Este era o estado em que estava a minha sala a meio do processo! Mas foi bem antes que tudo aconteceu. Quando ainda tinha os dois homens da transportadora a terminar de descarregar todas as 24 caixas no meu apartamento, estava eu já a adiantar serviço no quarto, a desembalar os componentes da cama. O estrado já estava encostado à parede, à espera que tudo o resto estivesse pronto para o receber... mas ele, inquieto, fez questão de assinalar a sua impaciência para esperar e caiu-me em cima da cabeça enquanto desembalava a cabeceira da cama. Bateu-me em cheio e com semelhante força que quando levei a mão à cabeça para massajar aquele galo iminente, encontrei na verdade já uma mini fonte de sangue. Sem deixar que os outros dois se apercebessem da minha "azelhice", lá os deixei ir embora assim que terminaram o trabalho - nem dois minutos depois do incidente - e saí então de casa em direcção ao (que pensava eu ser o) hospital.

A Dinamarca é já conhecida, pelo menos por alguns dos meus relatos, pelo seu não muito solarengo clima. Pois naquele dia estava um sol abrasador, lembrando perfeitamente um dia de Primavera em Portugal. Caminhei por uns 10 minutos até chegar ao edifício que eu sempre acreditei ser o hospital de Vejle. Entrei, dirigi-me à recepção, mas carregado já de dúvidas, perguntei: "Não é aqui o hospital, pois não?". A senhora por trás do balcão, claramente surpresa, respondeu prontamente que não. Pedi-lhe indicações de onde seria o verdadeiro e lá voltei a sair. As indicações foram algo vagas, mas nunca pensei que estivesse tão longe assim.

Eu sabia que se sentisse enjoos ou tonturas que a pancada podia ter sido mais grave, mas não era o caso. Sentia-me bem. Caminhei então mais um pouco. Entretanto, coloquei no Google Maps "Vejle sudhuset", o que me pareceu que a senhora tinha dito ao referir-se ao hospital. O Google Maps realmente deu-me um resultado e apesar de o nome não ser exactamente aquele, deixei-me ir... À medida que me aproximava, mais duvidas tinha de aquele seria o hospital. E de facto não passava de uma qualquer casa de espectáculos ou algum tipo de pavilhão polivalente.

Para não continuar à deriva por Vejle, em busca de socorro para a minha cabeça rachada, usei o Google Tradutor para descobrir como realmente escrever "hospital" em dinamarquês: "sygehus". Estava lá perto, apenas procurei inicialmente pela "casa do sul em Vejle" em vez de uma "casa de doentes"... lol

E onde ficava o hospital? Do lado completamente oposto ao local onde me encontrava em relação ao centro da cidade. E a prova disso é que para lá chegar, tive de passar por minha casa. Aproveitei para ir ao quarto de banho, porque estava apertado... E depois voltei então a sair, para finalmente chegar ao hospital, passada já quase uma meia hora de deambulação pela cidade.

Fui então atendido nas urgências, mas nada de mais... afinal não passava de um pequeno corte e um pouco de cola serviu para estancar o sangue. Voltei para casa e os trabalhos continuaram.



E foi este o resultado final depois de um dia inteiro de trabalhos forçados! Estava exausto no fim do dia, mas com uma satisfação enorme por finalmente ter a minha casa a parecer-se com uma casa de verdade...

Ainda há muito mais para contar... Fico por aqui por agora.

Até logo.

P.S. A minha mãe lembrou-me que esta na verdade não foi a primeira vez que "rachei" a cabeça, tendo essa sido quando ambos tivemos um acidente de carro quando eu tinha apenas 3 meses de vida. Mas dessa ocasião não me recordo! :)
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