quinta-feira, setembro 27, 2012

[POEMA] Sarjeta

Hoje terminei um poema que comecei a escrever há uns dias. A inspiração surgiu da combinação perfeita de três elementos: uma foto com que me cruzei no Facebook (usada neste vídeo), o som da chuva que caía na rua e uma melodia viciante criada por um dos artistas do YouTube cujo trabalho vou seguindo, o SamYung.

É um poema em memória de todos os cães, vadios ou não, que perderam a vida numa sarjeta qualquer... porque o cão é mesmo o melhor amigo do homem.


E ali jazia já arrefecido,
como se dormisse na mais profunda calma
por baixo da chuva complacente,
que lhe lavava o corpo sem alma.

Levara-lha aquele que não parou,
que não sentiu, que não pensou.
Levara-lha sem remorso ou culpa
de quem uma vida afinal roubou.

Na escuridão gélida da noite,
uma luz surgira vinda do nada,
que tal como uma chicotada
o atirou para fora daquela estrada.

Os ossos que se lhe quebraram
impediram-no de se mexer,
ali caído numa sarjeta
onde veio a acabar sem querer.

A dor que se apoderou do seu corpo
ninguém por ele a pôde sentir.
Já nada mais o poderia salvar
do fado a que não teve como fugir.

Somente a noite ouviu o gemido
que nem força teve para ser latido
e assim morrera sozinho e encharcado
Porque um condutor distraído lhe havia batido.


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terça-feira, setembro 11, 2012

[ Jornal + | 11/09/2012 ] A Música

Desde pequeno que a música tem tido um papel bastante importante na minha vida. Comecei por volta dos meus 6 anos, quando fui um dos seleccionados para integrar o primeiro coro infantil de Vilela, a minha terra Natal. Desde aí, nunca mais parei de cantar - para mal dos pecados da minha mãe, que era obrigada a ouvir-me quando queria e quando não queria.

Cresci a ver concursos na televisão como Operação Triunfo, Academia de Estrelas ou Ídolos e sonhava com o dia em que atingiria 18 anos para poder finalmente participar - em especial no primeiro, por ser como uma "escola". Mas a oportunidade nunca chegou...

Ainda assim, o gosto pela música cresceu lado a lado com a paixão pelo palco e a representação e durante muito tempo tive a certeza que não havia algo que quisesse mais do que entrar numa escola de artes performativas. Porém nunca tive o total apoio dos meus pais, pela assustadora insegurança que uma carreira de actor/cantor acarreta, em especial num país como o nosso.

Apesar de não me ter tornado num actor ou músico - ainda! -, vou mantendo estas actividades bem presentes no meu dia-à-dia o mais que posso, sobretudo no que diz respeito à música. Não tenho o sonho de vender discos e fazer digressões, nem tão pouco ouso acreditar que tivesse talento suficiente para tal. Mas adoro estar em palco e cantar, seja com o meu coro de gospel aqui em Vejle, onde vivo, ou nas noites de Karaoke às quintas-feiras no Corners, um pub enfumaçado que não toleraria não fosse ele o único da zona com esta actividade.

Ontem tive o meu primeiro concerto ao ar livre com o coro New Birth, em Aarhus. E tive direito a um solo! Correu tudo bem, as pessoas gostaram e a energia estava ao rubro! Foi para mim, sobretudo, um momento de pura adrenalina e emoção, com uma alegria e satisfação que poucas coisas me dão na vida. Afinal, quem canta seus males espanta, não é verdade?
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