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Estava a ouvir: Sara Bareilles - Gravity
Ando a ler: os últimos capítulos que escrevi de a.m.o.t.e.


"Quando acordei hoje de manhã, sentia-me cansado, parecia que tinha acabado de me deitar quando o despertador tocou. Eram 7h15 e lá estava o rádio a tocar nas alturas. Levantei-me, fui até ao quarto-de-banho e olhei para o espelho. Estava com olhos de quem não tinha dormido nada. E não tinha! Tinha saído da cama durante a noite e ido pintar para um jardim qualquer… Pelo menos era essa a sensação que eu tinha. Foi tão estranho recordar de repente tudo o que tinha sonhado, tão claramente como se o tivesse vivido de verdade no dia anterior!
Mas o que me deixou mais intrigado foi, provavelmente, a paisagem que eu estava a pintar no sonho… Aquele vale, aquele lago… o banco de jardim… a mulher… Todos aqueles elementos me eram familiares!
Andei o dia inteiro a matutar no assunto e quando finalmente cheguei a casa, fui ao meu ateliê e vasculhei todos os meus quadros. Até desembrulhei alguns que já tinha embrulhado! Revi imagens que já nem me lembrava de ter pintado! Mas lá encontrei o que procurava! Era exactamente a mesma paisagem que eu estava a pintar debaixo daquela árvore. Tinha pintado aquele quadro há mais de dez anos! Foi o meu primeiro quadro a óleo. E aquela paisagem, como todas as que eu pinto, não existe nem nunca existiu… Pelo menos idêntica, não! Apenas fragmentada… Cada elemento tinha sido absorvido por mim em passeios, em fotografias, em filmes… E depois tudo combinado originou uma paisagem que apenas eu conhecia, que apenas eu sabia da sua existência… uma paisagem minha! Um vasto arvoredo, do outro lado de um vale, onde havia um pequeno lago, e uma mulher sentada num banco de jardim a ler um livro…
Foi aí que eu percebi o porquê de ter sentido que conhecia aquele local. E claro que ela me sorria… ela conhecia-me de facto! Eu tinha-a pintado! Durante várias noites ela me observara de soslaio sobre o seu livro enquanto eu terminava de pintar o relvado, e o lago, e os arbustos… Mas eu não a pude reconhecer! No meu quadro ela está demasiado pequena para que se lhe distingam os traços do rosto.
Foi interessante rever o meu primeiro trabalho a óleo. Já o pintei há tantos anos que é mais do que normal notar-se uma grande diferença no domínio da técnica em relação aos meus quadros mais recentes. E ainda bem que assim é!
É engraçado poder ver hoje como pintava há dez anos atrás…"
Estava a ouvir: "Elephant", Damien Rice.
Ando a ler (ainda que pouco): "As intermitências da morte", José Saramago.
Ontem terminei de ler o "Ensaio sobre a cegueira". Demorei duas semanas, exactamente 14 dias (sim, porque duas semanas - contem como quiserem - não têm mais do que 14 dias!). Como ando em altura de exames, não podia ler ao ritmo que desejava, ia lendo quando dava... Porém, quase todos os dias de manhã, o ritual se repetia: o despertador tocava às 9 ou 9h15, mas só me levantava depois das 10h... Levava o livro para a casa de banho e antes de entrar no banho lia sempre, pelo menos, um capítulo. O tempo era pouco, o estudo andava atrasado, mas mesmo assim lá ficava eu a ler até chegar ao fim daquele capítulo para pousar o livro.Da primeira vez que te vi,
Não foi um tremor, não foi um arrepio,
Não foi tal coisa o que senti.
Não foi um aperto, não foi dor de certo...
Não foi medo, foi ansiedade. Curiosidade...
Não cruzaste os teus olhos com os meus,
Não me viste, nem me olhaste sequer...
Não te aproximaste...
Mas não te culpo! Afinal eu era-te tão estranho
Como todos os outros a quem não olhaste, não viste e não falaste...
Mas nunca mais te esqueci!
Sempre te olho, sempre te vejo e sempre te falo!
Ainda que esteja eu mudo, fala-te o meu olhar...
Estava a ouvir: "The first time I saw your face", Leona Lewis.
Ando a ler: "Ensaio sobre a cegueira", José Saramago.
O Outro Lado da Verdade
O meu primeiro romance, publicado em Dezembro de 2006.
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O Espelho
da Alma
Terminado já em 2007, o meu segundo romance está neste momento na gaveta, à espera da sua oportunidade.
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