terça-feira, maio 22, 2012

[Jornal + | 15/05/2012] "Torre de Babel"

Há uma pergunta à qual tenho de responder vezes sem conta sempre que estou em Portugal: “então, já falas Dinamarquês?” Compreendo que faça sentido na cabeça das pessoas que após tanto tempo eu já seja capaz de falar esta língua nórdica caracterizada por sons que evocam imagens de vómito na minha cabeça. Mas a resposta tem sido repetidamente: não!

Tudo bem que já cá estou há 19 meses, no único país do mundo em que se fala dinamarquês, mas a verdade é que há uma boa justificação para o facto de não ser ainda um poeta nórdico. A LEGO, enquanto empresa, é um espaço completamente internacional. Tenho colegas vindos um pouco de todo o mundo: Guatemala, EUA, Canadá, África do Sul, Roménia, Alemanha, França, Espanha, Austrália (isto apenas para enumerar alguns!) o que faz com que a língua oficial seja o Inglês.

90% do meu dia-a-dia, portanto, é vivido num ambiente anglófono. Os restantes 10 dividem-se entre o Português do Facebook (que me vai mantendo em contacto com família e amigos) e um mero 1% de Dinamarquês com o qual tenho de levar volta e meia, seja no correio ou algum aviso na entrada do prédio.

Mas sendo eu um jovem inteligente e interessado em aprender, sei que quem me conhece esperaria mais de mim. É com desilusão e surpresa estampados no rosto que recebem a minha resposta curta e inesperada, obrigando-me depois a acrescentar alguns esclarecimentos para bem da minha própria imagem. Como sejam o facto de estar a trabalhar numa empresa internacional, ou a inutilidade que é aprender uma terceira língua (ou quarta se contar com o espanhol intermédio que acredito dominar como qualquer português que se preza) que não me abre portas em mais parte alguma do globo, ou ainda mesmo o facto de se tratar de uma língua extremamente difícil de aprender.

Qualquer residente trabalhador na Dinamarca tem a possibilidade de aprender Dinamarquês de forma gratuita facultada pelo estado, desde que o faça dentro dos três primeiros anos de residência. Eu comecei as minhas aulas alguns meses depois de ter chegado cá e durante uns sete meses talvez, fui relativamente assíduo. Completei o primeiro módulo (dos cinco que compõem o programa de aprendizagem), mas desde Novembro que estou a tirar umas férias.

Sei agora o equivalente a um ano de aprendizagem de Inglês nos meus tempos de escola: os números, os dias da semana, perguntas simples, falar um pouco sobre o tempo... Tendo terminado os meus estudos pouco antes de me mudar para cá, não tenho ainda particulares saudades de qualquer tipo de aula ou das actividades que delas advêm (TPC). Conto regressar, mas não para já... Até poderei vir a falar um dia esta língua dos Vikings, mas certamente jamais escreverei um livro em Dinamarquês!
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segunda-feira, abril 30, 2012

[Jornal + | 28/04/2012] Regresso a "casa"

Neste ano e meio que já passou desde que me mudei para a Dinamarca, tenho visitado Portugal com alguma regularidade. Sensivelmente de três em três meses volto à terra, visito a família, revejo os amigos, sereno o coração, aqueço a alma e acalmo a saudade.

Cresci numa família muito unida e muito presente na vida uns dos outros. A minha família paterna vive praticamente toda na porta ao lado e a materna, apesar de mais distanciada, ainda assim está a uns meros quilómetros que se fazem até a pé. Por isso, sempre tive contacto com todos eles. Via os meus tios, primos e avós, senão todos os dias, pelo menos uma vez por semana. E isso é seguramente uma das coisas de que mais sinto falta: estar perto. Perto dos que mais importam para mim.

Sempre que volto a “casa” – e agora uso as aspas para me referir àquela em que cresci – tenho a sensação que deixei o meu quarto tal qual o encontro, apenas umas horas antes, naquela mesma manhã, como se nunca tivesse partido. É estranho. Mas é incrivelmente reconfortante saber que o meu quarto está ali, sempre igual, meu. A minha mãe tem feito questão de deixar tudo como sempre esteve. Até alguma da “tralha” que foi ficando na secretária e que até hoje lá continua.

Normalmente quando estou por terras lusitanas, fico por uma semana, mas sabe sempre a pouco... Ficam sempre sítios por visitar, coisas por fazer, pessoas por encontrar... Na última visita, por altura da Páscoa, aproveitei para fazer uma nova tatuagem: “Time flies but you're the pilot.” (o tempo voa mas és tu que és o piloto). A história por trás desta marca que agora é parte do que sou, está intimamente ligada ao momento mais doloroso pelo qual passei até hoje. E se alguma lição pude tirar desse momento, com certeza a mais importante foi a de aproveitar cada segundo, cada porta que se abre, nunca esperar pelo amanhã, pelo depois... É no fundo isso também que estou a fazer ao viver esta incrível oportunidade que me apareceu no caminho.

Tenho agora uma vida completamente diferente daquela que tinha em Portugal, e estou habituado a ela. Vejle é agora a minha cidade, esta é agora a minha casa e tenho a secretária de onde escrevo esta “carta” também já repleta de “tralha”. Há coisas que não mudam, não importa onde estejamos!

Se um dia regressarei a Portugal? Há dias em que sinto que nunca cheguei a partir realmente...
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domingo, abril 15, 2012

[Jornal +] Quanto vale um sonho

Nota introdutória: o Jornal + é um projecto de um conhecido meu dos tempos de escola e sobre o qual já escrevi noutra altura. Agora parece que comecei a escrever uma espécie de crónica para uma página do jornal intitulada "Correio Internacional". O Arménio Santos, editor do Jornal, apelidou-me simpaticamente de Cavaleiro da Dinamarca, nome esse também de uma obra infantil de Sophia de Mello Breyner Andresen. Segue-se então a transcrição do texto publicado na edição desta semana.

A 3 de Outubro de 2010, com apenas 21 anos, estava eu a aterrar no aeroporto de Billund, o segundo maior da Dinamarca, prestes a começar a maior aventura da minha vida: ser adulto!

É certo que, de acordo com a lei portuguesa, já o era desde 25 de Março de 2007, mas até então continuava a viver sob o tecto dos meus pais, tinha toda a minha família a viver literalmente à minha volta ou a pouquíssimos kilómetros de distância, permanecia livre de grandes responsabilidades, ocupava grande parte do meu tempo com os estudos e com os meus hobbies, via os mesmos amigos que sempre estiveram do meu lado pelo menos uma vez por semana... e de repente tudo mudou.

De um dia para o outro, estava a viver sozinho, longe de tudo o que conhecia e tive como certo a vida toda, fora do meu país, por minha total conta e risco. E no dia seguinte começava a trabalhar, oficialmente, com um contrato, com um ordenado, num trabalho “de verdade”, pela primeira vez.

Se por um lado, muitos me consideraram um sortudo pela oportunidade que estava a ter, um previligiado até, eu, por outro, tive de me abstrair de real dimensão da mudança que estava a fazer à minha vida para realmente poder apreciar o início desta minha grande aventura em terras dinamarquesas. Com apenas 21 anos estava a realizar um dos meus maiores sonhos: tornar-me num LEGO Designer.

É isso que faço hoje, um ano e meio já passados e cá continuo a criar e a escrever na história de uma das maiores e mais adoradas empresas de brinquedos do mundo. Continuo apaixonado pelo meu trabalho e é com um sorriso que cheguei ainda hoje à minha secretária, mas só eu sei o verdadeiro preço que estou a pagar para viver o meu sonho. Afinal, não se pode ter tudo, não é verdade?


Vamos ver como corre esta aventura e se vou tendo tempo para lhe dar continuidade.

Até logo.
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quarta-feira, abril 04, 2012

Rachei a cabeça depois de "velho"...

Tanto tempo se tem passado nestes últimos meses sem que nada de relevante aconteça ao ponto de eu querer (ou poder) partilhar aqui... Mas na última semana esta tendência foi completamente revertida. No entanto, só agora tive um tempinho para vir aqui escrever.

Desta vez, e para me obrigar a passar menos tempo no computador durante estas ferias, deixei-o em casa e viajei apenas com o iPad. É dele mesmo que vos escrevo neste momento (entretanto passei para o portátil da minha mãe, porque não estava a conseguir formatar o texto no iPad).

Pois bem, començando então o relato dos acontecimentos pelo principio...

Rachei a cabeça pela primeira vez depois de "velho"!

Ora, é mesmo verdade! No dia 27 de Março, recebi a primeira fornada de móveis enviados pelo meu pai. Já estou a viver no meu apartamento sozinho há quase meio ano, mas vocês também devem conhecer o dito: "casa de ferreiro, espeto de pau"... E até para mim isso se verificou! Mas pronto, pelo menos valeu a pena a espera. Tive a oportunidade de ter os móveis como queria, feitos para mim, à minha medida... Sempre é melhor do que ir ao IKEA e comprar aqueles móveis de segunda qualidade e feitos em série, iguais aos de tantas outras pessoas. Tem de haver alguma vantagem em ter um negócio de mobiliário na família! :)


Este era o estado em que estava a minha sala a meio do processo! Mas foi bem antes que tudo aconteceu. Quando ainda tinha os dois homens da transportadora a terminar de descarregar todas as 24 caixas no meu apartamento, estava eu já a adiantar serviço no quarto, a desembalar os componentes da cama. O estrado já estava encostado à parede, à espera que tudo o resto estivesse pronto para o receber... mas ele, inquieto, fez questão de assinalar a sua impaciência para esperar e caiu-me em cima da cabeça enquanto desembalava a cabeceira da cama. Bateu-me em cheio e com semelhante força que quando levei a mão à cabeça para massajar aquele galo iminente, encontrei na verdade já uma mini fonte de sangue. Sem deixar que os outros dois se apercebessem da minha "azelhice", lá os deixei ir embora assim que terminaram o trabalho - nem dois minutos depois do incidente - e saí então de casa em direcção ao (que pensava eu ser o) hospital.

A Dinamarca é já conhecida, pelo menos por alguns dos meus relatos, pelo seu não muito solarengo clima. Pois naquele dia estava um sol abrasador, lembrando perfeitamente um dia de Primavera em Portugal. Caminhei por uns 10 minutos até chegar ao edifício que eu sempre acreditei ser o hospital de Vejle. Entrei, dirigi-me à recepção, mas carregado já de dúvidas, perguntei: "Não é aqui o hospital, pois não?". A senhora por trás do balcão, claramente surpresa, respondeu prontamente que não. Pedi-lhe indicações de onde seria o verdadeiro e lá voltei a sair. As indicações foram algo vagas, mas nunca pensei que estivesse tão longe assim.

Eu sabia que se sentisse enjoos ou tonturas que a pancada podia ter sido mais grave, mas não era o caso. Sentia-me bem. Caminhei então mais um pouco. Entretanto, coloquei no Google Maps "Vejle sudhuset", o que me pareceu que a senhora tinha dito ao referir-se ao hospital. O Google Maps realmente deu-me um resultado e apesar de o nome não ser exactamente aquele, deixei-me ir... À medida que me aproximava, mais duvidas tinha de aquele seria o hospital. E de facto não passava de uma qualquer casa de espectáculos ou algum tipo de pavilhão polivalente.

Para não continuar à deriva por Vejle, em busca de socorro para a minha cabeça rachada, usei o Google Tradutor para descobrir como realmente escrever "hospital" em dinamarquês: "sygehus". Estava lá perto, apenas procurei inicialmente pela "casa do sul em Vejle" em vez de uma "casa de doentes"... lol

E onde ficava o hospital? Do lado completamente oposto ao local onde me encontrava em relação ao centro da cidade. E a prova disso é que para lá chegar, tive de passar por minha casa. Aproveitei para ir ao quarto de banho, porque estava apertado... E depois voltei então a sair, para finalmente chegar ao hospital, passada já quase uma meia hora de deambulação pela cidade.

Fui então atendido nas urgências, mas nada de mais... afinal não passava de um pequeno corte e um pouco de cola serviu para estancar o sangue. Voltei para casa e os trabalhos continuaram.



E foi este o resultado final depois de um dia inteiro de trabalhos forçados! Estava exausto no fim do dia, mas com uma satisfação enorme por finalmente ter a minha casa a parecer-se com uma casa de verdade...

Ainda há muito mais para contar... Fico por aqui por agora.

Até logo.

P.S. A minha mãe lembrou-me que esta na verdade não foi a primeira vez que "rachei" a cabeça, tendo essa sido quando ambos tivemos um acidente de carro quando eu tinha apenas 3 meses de vida. Mas dessa ocasião não me recordo! :)
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segunda-feira, março 26, 2012

[NEW LIFE] Day B175 - Tudo tem um propósito...

Hoje aconteceu algo tão aleatório e fantástico que se justifica completamente perder uns minutos para relatar como começou o meu dia - o segundo do meu 23º ano de vida.

Um pequeno parêntesis antes de avançar com os relatos: se bem se lembram, no último post "[NEW LIFE] Day B023 - Tempos de mudança", escrito há quase meio ano, mencionei que estava prestes a mudar-me para Vejle. Pois bem, cá estou eu a viver nesta bem mais movimentada cidade, sem saudade de Billund! :) E apenas amanhã receberei finalmente a primeira remessa de mobília enviada pelo meu pai de Portugal. Escreverei mais sobre isso depois, prometo!

Assim, vivendo em Vejle, a minha rotina mudou completamente em relação ao que eram os meus dias em Billund. Normalmente levanto-me por volta das 7h10 e às 7h57 estou a apanhar o autocarro para o trabalho. Hoje, porém, acordei apenas às 7h46. E por mero acaso! Acho que o despertador nunca chegou a tocar esta manhã... e tenho a forte impressão de que me esqueci completamente de o accionar ontem à noite.

Já nunca iria a tempo de apanhar o autocarro habitual, mas tinha ainda o das 8h25 que chegava apenas um quarto de hora mais tarde. Estava eu pronto às 8h10, sentei-me no computador para ver o mail - afinal tinha à vontade 5 minutos para isso. Quando dei por ela o relógio já marcava 8h22. O QUÊ?! 12 minutos literalmente voaram e eu nem tempo para piscar os olhos tive! Preciso de pelo menos 5 minutos para chegar, com passo já acelerado, à estação de autocarros, e tinha apenas 3 para calçar-me e sair de casa... nem valia a pena pensar mais no assunto, era o segundo autocarro perdido nesta manhã. 

Fiz por não perder o terceiro e saí de casa a horas! Entrei no 43 Billund, apenas uma rapariga lá dentro. Na verdade, foi uma viagem bastante solitária, o autocarro não teve mais do que 4 pessoas ao mesmo tempo... Sento-me sempre que possível na última fila - ou a "cozinha", como lhe chamávamos nos tempos de escola -, no canto do lado do motorista e hoje isso não foi excepção. Quase a chegar ao centro de Billund, onde saio todas as manhãs, reparei que havia um saco castanho na prateleira das malas. Olhei em volta e certifiquei-me que era o único passageiro ali dentro. Alguém se tinha esquecido daquela mochila...

Mas durante toda a viagem, em nenhum momento eu tinha reparado em alguém que se tivesse sentado tão próximo de mim ou que - muito menos - tivesse colocado aquele saco ali. É certo que durante grande parte do tempo vim de olhos fechados, a dormitar ao som de Awolnation, mas não deixei de ficar algo intrigado com aquilo. Naquele instante, estava já o meu subconsciente a matutar algo bem mais profundo.

Pensei então em levar a mochila até ao motorista para que depois ele tratasse de a levar aos perdidos e achados - ou então a proceder da forma que bem entendesse ou fosse sua obrigação numa situação daquelas. Mas foi aí que a "ficha caiu"!

Na semana anterior, o John, um colega meu irlandês que se senta exactamente ao meu lado, tinha perdido uma mochila num autocarro a vir de Aarhus para Billund. Contactou a empresa de transportes e fez tudo o que pôde para tentar reaver a mochila, mas sem obter qualquer pista do paradeiro da malfadada. Tinha estado fora naquele fim-de-semana a festejar St. Patrick's Day com alguns amigos Irlandeses em Aarhus e acabou por chegar a casa com menos uma mochila, por si só cara, roupas boas "de fim-de-semana" e mais uns acessórios nada agradáveis de perder, como carregador de telemóvel.

Aconteceu tudo muito depressa, em meros segundos arrisco dizer, mas estava ainda eu a pensar "não, não pode ser..." quando já as minhas mãos abriam o fecho principal da mochila para espreitar o interior. A primeira coisa que vi foi uma daquelas cartolas de tecido da carlsberg comemorativa do dia de St. Patrick. "Tás a gozar...", disse para mim mesmo. Depois, sabendo que ele também tinha o seu cartão de funcionário naquele saco que tinha perdido, tentei encontrá-lo no bolso da frente - parecia-me lógico que ele o teria ali. E lá estava ele! Aquela era mesmo a mochila do John perdida há uma semana!!!

Saí do autocarro a rir sozinho só de imaginar a cara dele quando lha entregasse! O rapaz nem queria acreditar! Demorou provavelmente mais tempo a reagir ao ver-me à sua frente com a mochila na mão do que os segundos que levei a processar todo aquele exercício mental que acabei de descrever à medida que identifiquei o tesouro perdido - sim, foi isso mesmo que senti que tinha encontrado!

Ficou prometido bolo aqui para o salteador de Autocarros, que encontra mochilas viajantes perdidas... :)
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domingo, março 18, 2012

[COVER] Fun - We Are Young

Eu sei, eu sei... já lá vai um bom tempo sem que eu escreva nada de jeito por aqui... Mas é mesmo assim! Há alturas na vida em que ou há muito pouco para se dizer ou simplesmente muito pouco que se possa dizer... Um dia quem sabe surgem aqui todas as palavras caladas nestes últimos meses.

No entretanto, ficam aqui outras, estas cantadas, nesta manhã de domingo... We Are Young, dos Fun, cantada por mim com arranjo a (quase) 4 vozes... :)


Diverti-me imenso a fazer os arranjos para esta música e especialmente a preparar os vídeos... Espero que gostem! ;)

Uma boa semana!
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quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Há uma nova cara na família nam'it®!


A Pequena Sereia juntou-se à família nam'it® e os leilões desta edição especial de apenas 10 unidades já começou! Vejam aqui.

Mais informação em www.younamit.com!

Divulguem!
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terça-feira, fevereiro 07, 2012

[Jornal+] O meu mundo colorido... a preto e branco!

Na terceira edição do Jornal+ - um projecto recente e promissor "da minha terra" -, que saiu hoje, vem mais um artigo sobre mim. A entrevista foi feita por mail, com perguntas muito descontraídas e sobre um pouco de tudo o que tem sido a minha vida em termos de projectos profissionais e pessoais. Nas últimas semanas saíram outros dois artigos (VISÃO e P3), e provavelmente já começam a ficar fartos de ler sempre as mesmas coisas... mas este é o último artigo (até à data! eheh) a sair nos próximos tempos. Além disso, este tem a particularidade de tocar em mais assuntos que os anteriores - ou em mais detalhe pelo menos nalguns deles. Aconselho a leitura!


O mundo colorido de Marcos Bessa
Arménio Santos | acsantos.press@gmail.com    

A vida de Marcos Bessa é uma animação. Ele escreve, canta, lidera projectos solidários, faz teatro e, actualmente, trabalha na poderosa LEGO, com sede na Dinamarca. O jovem de 22 anos, natural de Vilela, Paredes, é um insatisfeito por natureza. Num dia tirou Engenharia no Porto, no outro estava a caminho do Norte da Europa para desenhar brinquedos para miúdos e graúdos. Diz que tem saudades do calor português e que os sonhos que tem por realizar não terão que esperar muito. O verdadeiro "One Man Show" e a sua luta por uma vida sem rotinas.


Fazer tudo ao mesmo tempo
Entre essas e outras coisas que vou fazendo, sim, cá vou encontrando tempo para comer e dormir... Como enquanto estou a fazer design "solidário" no computador, e durmo enquanto imagino enredos para os próximos livros. Brincadeiras à parte, claro que vou tendo tempo para tudo. Acho que o segredo - que não o é na verdade - está numa boa gestão de tempo (que honestamente já teve melhores dias!) e numa definição clara de prioridades.

Nunca está satisfeito
Sem dúvida. Sou naturalmente insatisfeito. Com tudo e sobretudo comigo mesmo. Sou uma pessoa que gosta de desafios e que se cansa depressa da rotina. Daí ter de estar sempre envolvido em projectos que de uma forma ou de outra estejam dependentes/ligados à criatividade. Nada nunca é igual... Uma nova história para um livro, um novo desenho para uma caneca, uma nova música, um novo personagem para interpretar, um novo set (=conjunto LEGO) para construir...

Os sonhos por realizar
Muitos! Se André não fosse o meu segundo nome, poderia perfeitamente chamar-me Marcos Sonhador. Mas posso destacar alguns como escrever um guião para um filme ou ver um dos meus livros adaptados para a grande tela, subir a um palco ao lado de Ruy de Carvalho, gravar num estúdio profissional (uma música que fosse), fazer cinema, ganhar um óscar, conhecer Amy Lee (vocalista dos Evanescence), ser pai...

Viver no frio da Dinamarca
Tem sido tolerável... para ser simpático! :) Sinto imensa falta do sol e das temperaturas em Portugal, como é óbvio. Mas acho que me adaptei razoavelmente bem. Continuo com o widget no canto superior do ecrã do meu computador no trabalho a mostrar diariamente as temperaturas em Billund e no Porto, só para comparar... e devo dizer que por 2 segundos durante o dia deprimo, mas depois olho em volta e tudo volta a fazer sentido! De qualquer maneira, acho que sempre fui uma pessoa de frio... prefiro o aconchego de um cobertor em frente a uma lareira do que o sol abrasador numa tarde de verão sufocante.

nam'it!
Um projecto com estes contornos - isto é, sendo de cariz solidário - é sempre uma aposta ganha na medida em que qualquer resultado obtido é já uma vitória e que se vai materializar num donativo. É obvio que adorava que o projecto chegasse a mais pessoas mais depressa, e que muito mais gente tivesse vontade de adquirir uma caneca nam'it e ajudar assim uma instituição de caridade (como é o caso da Make-A-Wish Portugal). Mas este é um projecto pessoal e para o qual tenho trabalhado sozinho nos meus tempos livres, portanto, soube sempre desde o princípio que o caminho não seria sempre fácil ou rápido até ao "sucesso", mas quem disse que teria de ser? Já mencionei que gosto de desafios... ;) De qualquer forma, posso dizer que o projecto teve um arranque modesto mas bastante razoável! Até agora, com 4 canecas lançadas em pouco mais de 3 meses, vendi cerca de 30 unidades.

O olhar dos pais
Tendo eles vivido comigo debaixo do mesmo tecto durante mais de 21 anos, diria que outro remédio não teriam eles que não fosse o de me conhecer minimamente. Dito isto, acho que não foi com grande surpresa que eles viram o filho mais velho sair de casa para viver um sonho num país a 3000 km de distância. Sempre souberam que eu ia voar para algum lado...

O amor à literatura
Confesso que estive parado em relação aos meus livros durante bastante tempo. Tenho um segundo romance terminado - "O Espelho da Alma" - há já uma série de anos (desde 2008 pelo menos), mas não surgiu oportunidade de o publicar. Entretanto comecei um novo livro - "a.m.o.t.e." - que está a 60 ou 70% e que pretendo terminar ainda este ano. Curiosamente esta semana comecei a trabalhar novamente nesta área. Estou a rever novamente o meu primeiro romance para o publicar numa edição digital, com conteúdo exclusivo e inédito. Espero que 2012 seja um ano de novidades nesta área... acredito que será!

E onde fica a música? (Pergunta original: Normalmente alias os gostos pessoais com a carreira profissional. Quer isto dizer que um dia ainda podemos ouvir um álbum de música assinado por ti?)
Um disco completo não sei, mas algumas "brincadeiras" mais a sério... espero bem que sim! Como disse mais acima, adoraria um dia entrar em estúdio e gravar algumas coisas... sobretudo pela experiência em si! Quem sabe um dia! :)

Estar longe
O Facebook tornou-se num dos meus melhores amigos. Mantém-me irrefutavelmente ligado ao mundo que deixei para trás... e tenho a certeza que não seria capaz de estar a viver esta fase da minha vida se não fosse pela Internet! Sempre fui muito apegado à minha família e custa-me sempre imenso despedir-me deles quando tenho de voltar para "casa". Sempre que estou em Portugal, os últimos dias já são mais duros... sofro por antecipação!

Daqui a dez anos...
Honestamente, duvido que ainda esteja a trabalhar para a LEGO... pela simples razão que também aqui a minha "missão" chegará a um fim um dia. Seja a fazer o que for, espero estar tão ou mais satisfeito com a minha vida quanto estou hoje! :)

*

Se quiserem ler o jornal em formato físico, levantem a vossa cópia gratuita num dos pontos de distribuição abaixo indicados:

Paredes: Jolima, Farmácia Ruão, Galp, Óptica Nova, Invictus, Princesinha e Sabores do Tempo;
Paços de Ferreira: Ferrara Plaza, King, Celeste, D'Sandes e Casa do Café.

Até logo.
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sábado, fevereiro 04, 2012

[Entrevista] P3 - "O trabalho dele é brincar com LEGO"


Hoje foi publicado na página P3 uma entrevista que me fizeram há poucos dias por email. Podem lê-la aqui.

Não tem nada de novo, acho eu, mas se estiverem curiosos, dêem uma vista de olhos! :)

Até logo.
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segunda-feira, janeiro 23, 2012

A MATILHA anda à solta... atreve-te a ouvir!

Já não me recordo do ano - talvez em 2005 ou 2006 - conheci os Tragic Comic, uma banda portuguesa de rock progressivo com um único álbum editado até à data: Welcome To My Show (poderiam aceder ao link para fazer download gratuito do álbum no myspace da banda, se o MegaUpload não tivesse sido fechado).

Tive oportunidade de assistir a um concerto muito intimista com eles, ainda na altura em que a Diana Abreu partilhava o micro com o Né - actual único vocalista. Conheci-os a todos, os sete membros da uma banda original, apaixonada e esforçada. Infelizmente até hoje a banda não apresentou qualquer novidade, embora não faça ainda muito tempo que as minhas fontes me tenham informado que novidades estariam para breve...


No entretanto, estes músicos não têm estado parados! Com vários projectos paralelos, vidas profissionais e pessoais à mistura, 4 dos membros originais dos Tragic formam uma outra banda de rock português, com um som muito próprio e que vale a pena experimentar: a Matilha.

"Andar Perdido", abre uma experiência musical de qualidade composta por 11 faixas e é o primeiro single do álbum de estreia - "Andar Perdido É Uma Conversa".



O video está bastante simples, mas de qualidade. Nem sempre as coisas mais elaboradas são as melhores. A banda convidou os seus fãs para aparecerem sobre a passadeira rolante, caminhando infinitamente, e eu tê-lo-ia feito com todo o gosto se tivesse tido oportunidade de aparecer no dia das gravações!

Sim, sou um fã da banda!

Já tenho o CD há alguns meses e volta e meia ouço-o no meu computador enquanto trabalho ou no telemóvel. Sou consumidor de vários tipos de música e se há algo que vou tentando manter no meu "iTunes" é uma boa dose de música portuguesa. Desde Rita Guerra, a The Gift, passando por Amor Electro, David Fonseca, Susana Felix, e até Adelaide Ferreira se o ouvido pedir... Matilha está lá também!

O som desta banda é bastante característico, muito em parte porque apesar de "rockeiros" se despiram das típicas e tradicionais guitarras eléctricas neste género. Em todo o álbum, apenas "Só Mais Uma Vez" dá a ouvir uma guitarra tocada por um músico convidado. De resto, é o piano, o baixo e a bateria que dominam e preenchem os sons uivantes dos "rafeiros" Ozzy, Indie, Patrão e Né.

A minha faixa favorita do álbum? Além do single, gosto particularmente da letra de Anjo Negro, da agressividade de "Só Mais Uma Vez", da inesperabilidade de "A Manuela Deixou de Aparecer" e estou viciado na simplicidade viciante de "Piéce de Resistence".

Definitivamente aconselho a ouvirem o álbum! E comprem-no também! Apoiem o que é Português, mas sobretudo o que é bom!

Até logo.
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