quinta-feira, setembro 27, 2012

[POEMA] Sarjeta

Hoje terminei um poema que comecei a escrever há uns dias. A inspiração surgiu da combinação perfeita de três elementos: uma foto com que me cruzei no Facebook (usada neste vídeo), o som da chuva que caía na rua e uma melodia viciante criada por um dos artistas do YouTube cujo trabalho vou seguindo, o SamYung.

É um poema em memória de todos os cães, vadios ou não, que perderam a vida numa sarjeta qualquer... porque o cão é mesmo o melhor amigo do homem.


E ali jazia já arrefecido,
como se dormisse na mais profunda calma
por baixo da chuva complacente,
que lhe lavava o corpo sem alma.

Levara-lha aquele que não parou,
que não sentiu, que não pensou.
Levara-lha sem remorso ou culpa
de quem uma vida afinal roubou.

Na escuridão gélida da noite,
uma luz surgira vinda do nada,
que tal como uma chicotada
o atirou para fora daquela estrada.

Os ossos que se lhe quebraram
impediram-no de se mexer,
ali caído numa sarjeta
onde veio a acabar sem querer.

A dor que se apoderou do seu corpo
ninguém por ele a pôde sentir.
Já nada mais o poderia salvar
do fado a que não teve como fugir.

Somente a noite ouviu o gemido
que nem força teve para ser latido
e assim morrera sozinho e encharcado
Porque um condutor distraído lhe havia batido.


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terça-feira, setembro 11, 2012

[ Jornal + | 11/09/2012 ] A Música

Desde pequeno que a música tem tido um papel bastante importante na minha vida. Comecei por volta dos meus 6 anos, quando fui um dos seleccionados para integrar o primeiro coro infantil de Vilela, a minha terra Natal. Desde aí, nunca mais parei de cantar - para mal dos pecados da minha mãe, que era obrigada a ouvir-me quando queria e quando não queria.

Cresci a ver concursos na televisão como Operação Triunfo, Academia de Estrelas ou Ídolos e sonhava com o dia em que atingiria 18 anos para poder finalmente participar - em especial no primeiro, por ser como uma "escola". Mas a oportunidade nunca chegou...

Ainda assim, o gosto pela música cresceu lado a lado com a paixão pelo palco e a representação e durante muito tempo tive a certeza que não havia algo que quisesse mais do que entrar numa escola de artes performativas. Porém nunca tive o total apoio dos meus pais, pela assustadora insegurança que uma carreira de actor/cantor acarreta, em especial num país como o nosso.

Apesar de não me ter tornado num actor ou músico - ainda! -, vou mantendo estas actividades bem presentes no meu dia-à-dia o mais que posso, sobretudo no que diz respeito à música. Não tenho o sonho de vender discos e fazer digressões, nem tão pouco ouso acreditar que tivesse talento suficiente para tal. Mas adoro estar em palco e cantar, seja com o meu coro de gospel aqui em Vejle, onde vivo, ou nas noites de Karaoke às quintas-feiras no Corners, um pub enfumaçado que não toleraria não fosse ele o único da zona com esta actividade.

Ontem tive o meu primeiro concerto ao ar livre com o coro New Birth, em Aarhus. E tive direito a um solo! Correu tudo bem, as pessoas gostaram e a energia estava ao rubro! Foi para mim, sobretudo, um momento de pura adrenalina e emoção, com uma alegria e satisfação que poucas coisas me dão na vida. Afinal, quem canta seus males espanta, não é verdade?
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quinta-feira, agosto 16, 2012

[ Jornal + | 16/08/2012 ] À descoberta da História romana

Hoje escrevo-vos de um quarto quente, numa pensão em Roma, onde nem a pobre ventoinha no tecto consegue vencer o calor. As temperaturas que se fazem sentir lá para cima, na terra dos vikings, já transformaram o meu corpo que agora tolera muito mais dificilmente este calor insuportável que nos faz suar litros de água.

Tive desde adolescente o desejo de viajar até Itália, mas até emigrar para a Dinamarca, viajar era um luxo a que só tive acesso uma vez numa viagem de estudo a Londres. Hoje, aqui estou, pela segunda vez neste país, primeira na "bota". Alguns poderão dizer que esta não é a melhor altura do ano para vir a Roma, os mesmos que agora muito provavelmente estão numa zona costeira a apanhar banhos de sol, e andar por uma cidade tão rica e repleta de tesouros históricos e arquitectónicos debaixo de um sol abrasador pode ser realmente desgastaste, mas foi quando surgiu a oportunidade e não sou de as deixar passar.

Estou fascinado com tudo o que vi até agora. Os meus olhos estão cansados e o cérebro já não é capaz de processar muito mais imagens. Também por isso comprei um livro com imensa informação para depois, com tempo, rever e relembrar tudo o que vi e ouvi da boca da mais empolgante e cativante guia turística que alguma vez conheci - ou de que sequer ouvi falar!

Cruzei-me com a Fee, uma inglesa de 49 anos dos arredores de Liverpool, numa primeira visita guiada às ruínas do Fórum Romano, logo depois de ter visitado o famoso coliseu. Depois de aproximadamente uma hora a caminhar por entre pedaços de história, alguns com mais de dois milhares de anos, a energia daquela ex-professora de química manteve-se inalterada e era de tal forma contagiante que não pensei duas vezes antes de me inscrever para uma segunda visita guiada com ela, desta vez ao Museu do Vaticano e Capela Sestina. Felicity - nome de baptismo desta senhora -, foi a maior prova que alguma vez tive de que o amor pelo que fazemos é sem dúvida o mais importante ingrediente para o sucesso, ou não tivesse ela emigrado para Itália há quatro anos, sozinha, à procura de satisfazer o seu maior desejo de viver perto deste colosso de história.
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quarta-feira, julho 25, 2012

[ Jornal + | 25/07/2012 ] O Tempo

Dizem os estrangeiros que por aqui passam que os dinamarqueses não falam de outra coisa senão do tempo. Embora só tenho ouvido tal observação já depois de cá viver, verdade é que depressa a confirmei. É frequente cruzar-me com colegas e conhecidos e inevitavelmente comentar a descida abrupta de temperatura que se fez sentir a meio da semana, ou o sol radiante que tornou a última tarde de sábado num excelente dia de praia, ainda que domingo tenha sido de trovoada e chuva a cântaros.

Pois é, fala-se do tempo por estes lados como se de uma série policial cheia de mistério e reviravoltas no guião se tratasse, tal é o interesse que o assunto parece despertar de uma forma geral nas pessoas. E até podiam vocês dizer-me que nós portugueses também falamos bastante sobre a meteorologia do nosso próprio país "à beira mar plantado". Ou até mesmo que na verdade é um hábito comum e global - afinal todos, em qualquer parte do globo, estamos sujeitos ao estado de humor de São Pedro (ou entidades religioso-transcendentais equivalentes).

Porém, o que eu notei nestes quase dois anos que aqui estou, é que mais do que em Portugal, as pessoas realmente dependem das previsões da meteorologia. Ao passo que aí, onde estão a ler este meu texto, as estações do ano ainda vão tendo algo de característico, aqui essas quase parecem não existir - pelos menos não como eu me lembro de as ter aprendido na escola.

Além da neve a durar uns quatro meses no inverno, nada mais parece certo por aqui... Ora chove, ora está um lindo dia de sol, ora volta o vento e as temperaturas baixas, ora se volta a ter um rasgo de verão que dura mais uns dias, a lembrar que afinal estamos mesmo em Julho...

Várias vezes comentamos no trabalho que a empresa deveria estar proibida de funcionar em dias de sol (acreditem que não afectaria significativamente a sua produtividade de tão poucos que são). Eu próprio estaria disposto a trabalhar aos fins-de-semana se isso me assegurasse a possibilidade de ficar em casa num dia em que as nuvens tivessem ficado para lá da fronteira dinamarquesa.

Num país consideravelmente mais frio e com uma meteorologia pálida, molhada e bem mais depressiva que aquela que recordo saudosamente do nosso Portugal, é mais do que compreensível que o assunto número um das pessoas na rua seja exactamente o que irão fazer no próximo dia de sol, para aproveitar tal evento. É preciso estar em cima do acontecimento para se poder tirar verdadeiro proveito de cada pedacinho de verão que vamos vivendo deste lado da Europa. E com isto lembro-me que ainda não consultei a meteorologia para amanhã...
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segunda-feira, junho 18, 2012

[ Jornal + | 9/06/2012 ] Ai as Francesinhas...

Nestas últimas semanas tenho me deparado com uma quantidade algo perturbadora de imagens de francesinhas no Facebook. Não sei se é por estarmos agora a entrar no Verão e, talvez por isso, as pessoas se sintam mais tentadas a este prato típico do Porto que cai sempre melhor acompanhado de uma cerveja bem gelada. Talvez tenha sido isso mesmo que deu origem a um autêntico assalto ao meu mural por parte de uma série de imagens de fazer crescer água na boca.

Provavelmente estou apenas a receber o troco pelas frequentes fotos que publico no meu próprio mural das minhas iguarias e refeições mais apetitosas. Bem que dizem que o universo apenas nos devolve aquilo que lhe damos...

A propósito de comida, uma das principais diferenças com que me deparei assim que emigrei foi justamente a gastronomia. Inúmeras conservas, molhos de todas as cores e consistências, uma variedade imensa de combinações de coberturas para "sandes" de uma única fatia de pão: o tradicionalsmørrebrød – que eles depois são obrigados a comer de faca e garfo –, são apenas alguns dos exemplos do que pela minha experiência melhor descreveria a cozinha dinamarquesa (ou pelo menos a cantina da empresa onde trabalho).

É certo que me tornei muito menos esquisito no que diz respeito a comida desde que passei a viver sozinho e a ter de cozinhar para mim – experimento muito mais –, mas não posso dizer ainda que me tenha rendido aos sabores bárbaros aqui da terra dos vikings. Sou muito mais apreciador da cozinha japonesa, tailandesa ou italiana, ainda que a minha favorita continue a ser sem dúvida a cozinha da minha mãe! Que saudades daquela comida que durante tanto tempo tive como garantida quase sem lhe dar o devido valor.

Apesar das saudades da “comida da mamã”, não tenho conseguido parar de salivar por uma francesinha nos últimos dias. Tenho pensado em chamar alguns amigos para jantar lá em casa e dar-lhes a provar esta iguaria portuguesa... Qualquer portuense sabe que o segredo está no molho. Tenho de descobrir a melhor receita! Alguma sugestão ou truque que eu deva ter em conta para impressionar os meus amigos dinamarqueses?
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terça-feira, maio 22, 2012

[Jornal + | 15/05/2012] "Torre de Babel"

Há uma pergunta à qual tenho de responder vezes sem conta sempre que estou em Portugal: “então, já falas Dinamarquês?” Compreendo que faça sentido na cabeça das pessoas que após tanto tempo eu já seja capaz de falar esta língua nórdica caracterizada por sons que evocam imagens de vómito na minha cabeça. Mas a resposta tem sido repetidamente: não!

Tudo bem que já cá estou há 19 meses, no único país do mundo em que se fala dinamarquês, mas a verdade é que há uma boa justificação para o facto de não ser ainda um poeta nórdico. A LEGO, enquanto empresa, é um espaço completamente internacional. Tenho colegas vindos um pouco de todo o mundo: Guatemala, EUA, Canadá, África do Sul, Roménia, Alemanha, França, Espanha, Austrália (isto apenas para enumerar alguns!) o que faz com que a língua oficial seja o Inglês.

90% do meu dia-a-dia, portanto, é vivido num ambiente anglófono. Os restantes 10 dividem-se entre o Português do Facebook (que me vai mantendo em contacto com família e amigos) e um mero 1% de Dinamarquês com o qual tenho de levar volta e meia, seja no correio ou algum aviso na entrada do prédio.

Mas sendo eu um jovem inteligente e interessado em aprender, sei que quem me conhece esperaria mais de mim. É com desilusão e surpresa estampados no rosto que recebem a minha resposta curta e inesperada, obrigando-me depois a acrescentar alguns esclarecimentos para bem da minha própria imagem. Como sejam o facto de estar a trabalhar numa empresa internacional, ou a inutilidade que é aprender uma terceira língua (ou quarta se contar com o espanhol intermédio que acredito dominar como qualquer português que se preza) que não me abre portas em mais parte alguma do globo, ou ainda mesmo o facto de se tratar de uma língua extremamente difícil de aprender.

Qualquer residente trabalhador na Dinamarca tem a possibilidade de aprender Dinamarquês de forma gratuita facultada pelo estado, desde que o faça dentro dos três primeiros anos de residência. Eu comecei as minhas aulas alguns meses depois de ter chegado cá e durante uns sete meses talvez, fui relativamente assíduo. Completei o primeiro módulo (dos cinco que compõem o programa de aprendizagem), mas desde Novembro que estou a tirar umas férias.

Sei agora o equivalente a um ano de aprendizagem de Inglês nos meus tempos de escola: os números, os dias da semana, perguntas simples, falar um pouco sobre o tempo... Tendo terminado os meus estudos pouco antes de me mudar para cá, não tenho ainda particulares saudades de qualquer tipo de aula ou das actividades que delas advêm (TPC). Conto regressar, mas não para já... Até poderei vir a falar um dia esta língua dos Vikings, mas certamente jamais escreverei um livro em Dinamarquês!
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segunda-feira, abril 30, 2012

[Jornal + | 28/04/2012] Regresso a "casa"

Neste ano e meio que já passou desde que me mudei para a Dinamarca, tenho visitado Portugal com alguma regularidade. Sensivelmente de três em três meses volto à terra, visito a família, revejo os amigos, sereno o coração, aqueço a alma e acalmo a saudade.

Cresci numa família muito unida e muito presente na vida uns dos outros. A minha família paterna vive praticamente toda na porta ao lado e a materna, apesar de mais distanciada, ainda assim está a uns meros quilómetros que se fazem até a pé. Por isso, sempre tive contacto com todos eles. Via os meus tios, primos e avós, senão todos os dias, pelo menos uma vez por semana. E isso é seguramente uma das coisas de que mais sinto falta: estar perto. Perto dos que mais importam para mim.

Sempre que volto a “casa” – e agora uso as aspas para me referir àquela em que cresci – tenho a sensação que deixei o meu quarto tal qual o encontro, apenas umas horas antes, naquela mesma manhã, como se nunca tivesse partido. É estranho. Mas é incrivelmente reconfortante saber que o meu quarto está ali, sempre igual, meu. A minha mãe tem feito questão de deixar tudo como sempre esteve. Até alguma da “tralha” que foi ficando na secretária e que até hoje lá continua.

Normalmente quando estou por terras lusitanas, fico por uma semana, mas sabe sempre a pouco... Ficam sempre sítios por visitar, coisas por fazer, pessoas por encontrar... Na última visita, por altura da Páscoa, aproveitei para fazer uma nova tatuagem: “Time flies but you're the pilot.” (o tempo voa mas és tu que és o piloto). A história por trás desta marca que agora é parte do que sou, está intimamente ligada ao momento mais doloroso pelo qual passei até hoje. E se alguma lição pude tirar desse momento, com certeza a mais importante foi a de aproveitar cada segundo, cada porta que se abre, nunca esperar pelo amanhã, pelo depois... É no fundo isso também que estou a fazer ao viver esta incrível oportunidade que me apareceu no caminho.

Tenho agora uma vida completamente diferente daquela que tinha em Portugal, e estou habituado a ela. Vejle é agora a minha cidade, esta é agora a minha casa e tenho a secretária de onde escrevo esta “carta” também já repleta de “tralha”. Há coisas que não mudam, não importa onde estejamos!

Se um dia regressarei a Portugal? Há dias em que sinto que nunca cheguei a partir realmente...
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domingo, abril 15, 2012

[Jornal +] Quanto vale um sonho

Nota introdutória: o Jornal + é um projecto de um conhecido meu dos tempos de escola e sobre o qual já escrevi noutra altura. Agora parece que comecei a escrever uma espécie de crónica para uma página do jornal intitulada "Correio Internacional". O Arménio Santos, editor do Jornal, apelidou-me simpaticamente de Cavaleiro da Dinamarca, nome esse também de uma obra infantil de Sophia de Mello Breyner Andresen. Segue-se então a transcrição do texto publicado na edição desta semana.

A 3 de Outubro de 2010, com apenas 21 anos, estava eu a aterrar no aeroporto de Billund, o segundo maior da Dinamarca, prestes a começar a maior aventura da minha vida: ser adulto!

É certo que, de acordo com a lei portuguesa, já o era desde 25 de Março de 2007, mas até então continuava a viver sob o tecto dos meus pais, tinha toda a minha família a viver literalmente à minha volta ou a pouquíssimos kilómetros de distância, permanecia livre de grandes responsabilidades, ocupava grande parte do meu tempo com os estudos e com os meus hobbies, via os mesmos amigos que sempre estiveram do meu lado pelo menos uma vez por semana... e de repente tudo mudou.

De um dia para o outro, estava a viver sozinho, longe de tudo o que conhecia e tive como certo a vida toda, fora do meu país, por minha total conta e risco. E no dia seguinte começava a trabalhar, oficialmente, com um contrato, com um ordenado, num trabalho “de verdade”, pela primeira vez.

Se por um lado, muitos me consideraram um sortudo pela oportunidade que estava a ter, um previligiado até, eu, por outro, tive de me abstrair de real dimensão da mudança que estava a fazer à minha vida para realmente poder apreciar o início desta minha grande aventura em terras dinamarquesas. Com apenas 21 anos estava a realizar um dos meus maiores sonhos: tornar-me num LEGO Designer.

É isso que faço hoje, um ano e meio já passados e cá continuo a criar e a escrever na história de uma das maiores e mais adoradas empresas de brinquedos do mundo. Continuo apaixonado pelo meu trabalho e é com um sorriso que cheguei ainda hoje à minha secretária, mas só eu sei o verdadeiro preço que estou a pagar para viver o meu sonho. Afinal, não se pode ter tudo, não é verdade?


Vamos ver como corre esta aventura e se vou tendo tempo para lhe dar continuidade.

Até logo.
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quarta-feira, abril 04, 2012

Rachei a cabeça depois de "velho"...

Tanto tempo se tem passado nestes últimos meses sem que nada de relevante aconteça ao ponto de eu querer (ou poder) partilhar aqui... Mas na última semana esta tendência foi completamente revertida. No entanto, só agora tive um tempinho para vir aqui escrever.

Desta vez, e para me obrigar a passar menos tempo no computador durante estas ferias, deixei-o em casa e viajei apenas com o iPad. É dele mesmo que vos escrevo neste momento (entretanto passei para o portátil da minha mãe, porque não estava a conseguir formatar o texto no iPad).

Pois bem, començando então o relato dos acontecimentos pelo principio...

Rachei a cabeça pela primeira vez depois de "velho"!

Ora, é mesmo verdade! No dia 27 de Março, recebi a primeira fornada de móveis enviados pelo meu pai. Já estou a viver no meu apartamento sozinho há quase meio ano, mas vocês também devem conhecer o dito: "casa de ferreiro, espeto de pau"... E até para mim isso se verificou! Mas pronto, pelo menos valeu a pena a espera. Tive a oportunidade de ter os móveis como queria, feitos para mim, à minha medida... Sempre é melhor do que ir ao IKEA e comprar aqueles móveis de segunda qualidade e feitos em série, iguais aos de tantas outras pessoas. Tem de haver alguma vantagem em ter um negócio de mobiliário na família! :)


Este era o estado em que estava a minha sala a meio do processo! Mas foi bem antes que tudo aconteceu. Quando ainda tinha os dois homens da transportadora a terminar de descarregar todas as 24 caixas no meu apartamento, estava eu já a adiantar serviço no quarto, a desembalar os componentes da cama. O estrado já estava encostado à parede, à espera que tudo o resto estivesse pronto para o receber... mas ele, inquieto, fez questão de assinalar a sua impaciência para esperar e caiu-me em cima da cabeça enquanto desembalava a cabeceira da cama. Bateu-me em cheio e com semelhante força que quando levei a mão à cabeça para massajar aquele galo iminente, encontrei na verdade já uma mini fonte de sangue. Sem deixar que os outros dois se apercebessem da minha "azelhice", lá os deixei ir embora assim que terminaram o trabalho - nem dois minutos depois do incidente - e saí então de casa em direcção ao (que pensava eu ser o) hospital.

A Dinamarca é já conhecida, pelo menos por alguns dos meus relatos, pelo seu não muito solarengo clima. Pois naquele dia estava um sol abrasador, lembrando perfeitamente um dia de Primavera em Portugal. Caminhei por uns 10 minutos até chegar ao edifício que eu sempre acreditei ser o hospital de Vejle. Entrei, dirigi-me à recepção, mas carregado já de dúvidas, perguntei: "Não é aqui o hospital, pois não?". A senhora por trás do balcão, claramente surpresa, respondeu prontamente que não. Pedi-lhe indicações de onde seria o verdadeiro e lá voltei a sair. As indicações foram algo vagas, mas nunca pensei que estivesse tão longe assim.

Eu sabia que se sentisse enjoos ou tonturas que a pancada podia ter sido mais grave, mas não era o caso. Sentia-me bem. Caminhei então mais um pouco. Entretanto, coloquei no Google Maps "Vejle sudhuset", o que me pareceu que a senhora tinha dito ao referir-se ao hospital. O Google Maps realmente deu-me um resultado e apesar de o nome não ser exactamente aquele, deixei-me ir... À medida que me aproximava, mais duvidas tinha de aquele seria o hospital. E de facto não passava de uma qualquer casa de espectáculos ou algum tipo de pavilhão polivalente.

Para não continuar à deriva por Vejle, em busca de socorro para a minha cabeça rachada, usei o Google Tradutor para descobrir como realmente escrever "hospital" em dinamarquês: "sygehus". Estava lá perto, apenas procurei inicialmente pela "casa do sul em Vejle" em vez de uma "casa de doentes"... lol

E onde ficava o hospital? Do lado completamente oposto ao local onde me encontrava em relação ao centro da cidade. E a prova disso é que para lá chegar, tive de passar por minha casa. Aproveitei para ir ao quarto de banho, porque estava apertado... E depois voltei então a sair, para finalmente chegar ao hospital, passada já quase uma meia hora de deambulação pela cidade.

Fui então atendido nas urgências, mas nada de mais... afinal não passava de um pequeno corte e um pouco de cola serviu para estancar o sangue. Voltei para casa e os trabalhos continuaram.



E foi este o resultado final depois de um dia inteiro de trabalhos forçados! Estava exausto no fim do dia, mas com uma satisfação enorme por finalmente ter a minha casa a parecer-se com uma casa de verdade...

Ainda há muito mais para contar... Fico por aqui por agora.

Até logo.

P.S. A minha mãe lembrou-me que esta na verdade não foi a primeira vez que "rachei" a cabeça, tendo essa sido quando ambos tivemos um acidente de carro quando eu tinha apenas 3 meses de vida. Mas dessa ocasião não me recordo! :)
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segunda-feira, março 26, 2012

[NEW LIFE] Day B175 - Tudo tem um propósito...

Hoje aconteceu algo tão aleatório e fantástico que se justifica completamente perder uns minutos para relatar como começou o meu dia - o segundo do meu 23º ano de vida.

Um pequeno parêntesis antes de avançar com os relatos: se bem se lembram, no último post "[NEW LIFE] Day B023 - Tempos de mudança", escrito há quase meio ano, mencionei que estava prestes a mudar-me para Vejle. Pois bem, cá estou eu a viver nesta bem mais movimentada cidade, sem saudade de Billund! :) E apenas amanhã receberei finalmente a primeira remessa de mobília enviada pelo meu pai de Portugal. Escreverei mais sobre isso depois, prometo!

Assim, vivendo em Vejle, a minha rotina mudou completamente em relação ao que eram os meus dias em Billund. Normalmente levanto-me por volta das 7h10 e às 7h57 estou a apanhar o autocarro para o trabalho. Hoje, porém, acordei apenas às 7h46. E por mero acaso! Acho que o despertador nunca chegou a tocar esta manhã... e tenho a forte impressão de que me esqueci completamente de o accionar ontem à noite.

Já nunca iria a tempo de apanhar o autocarro habitual, mas tinha ainda o das 8h25 que chegava apenas um quarto de hora mais tarde. Estava eu pronto às 8h10, sentei-me no computador para ver o mail - afinal tinha à vontade 5 minutos para isso. Quando dei por ela o relógio já marcava 8h22. O QUÊ?! 12 minutos literalmente voaram e eu nem tempo para piscar os olhos tive! Preciso de pelo menos 5 minutos para chegar, com passo já acelerado, à estação de autocarros, e tinha apenas 3 para calçar-me e sair de casa... nem valia a pena pensar mais no assunto, era o segundo autocarro perdido nesta manhã. 

Fiz por não perder o terceiro e saí de casa a horas! Entrei no 43 Billund, apenas uma rapariga lá dentro. Na verdade, foi uma viagem bastante solitária, o autocarro não teve mais do que 4 pessoas ao mesmo tempo... Sento-me sempre que possível na última fila - ou a "cozinha", como lhe chamávamos nos tempos de escola -, no canto do lado do motorista e hoje isso não foi excepção. Quase a chegar ao centro de Billund, onde saio todas as manhãs, reparei que havia um saco castanho na prateleira das malas. Olhei em volta e certifiquei-me que era o único passageiro ali dentro. Alguém se tinha esquecido daquela mochila...

Mas durante toda a viagem, em nenhum momento eu tinha reparado em alguém que se tivesse sentado tão próximo de mim ou que - muito menos - tivesse colocado aquele saco ali. É certo que durante grande parte do tempo vim de olhos fechados, a dormitar ao som de Awolnation, mas não deixei de ficar algo intrigado com aquilo. Naquele instante, estava já o meu subconsciente a matutar algo bem mais profundo.

Pensei então em levar a mochila até ao motorista para que depois ele tratasse de a levar aos perdidos e achados - ou então a proceder da forma que bem entendesse ou fosse sua obrigação numa situação daquelas. Mas foi aí que a "ficha caiu"!

Na semana anterior, o John, um colega meu irlandês que se senta exactamente ao meu lado, tinha perdido uma mochila num autocarro a vir de Aarhus para Billund. Contactou a empresa de transportes e fez tudo o que pôde para tentar reaver a mochila, mas sem obter qualquer pista do paradeiro da malfadada. Tinha estado fora naquele fim-de-semana a festejar St. Patrick's Day com alguns amigos Irlandeses em Aarhus e acabou por chegar a casa com menos uma mochila, por si só cara, roupas boas "de fim-de-semana" e mais uns acessórios nada agradáveis de perder, como carregador de telemóvel.

Aconteceu tudo muito depressa, em meros segundos arrisco dizer, mas estava ainda eu a pensar "não, não pode ser..." quando já as minhas mãos abriam o fecho principal da mochila para espreitar o interior. A primeira coisa que vi foi uma daquelas cartolas de tecido da carlsberg comemorativa do dia de St. Patrick. "Tás a gozar...", disse para mim mesmo. Depois, sabendo que ele também tinha o seu cartão de funcionário naquele saco que tinha perdido, tentei encontrá-lo no bolso da frente - parecia-me lógico que ele o teria ali. E lá estava ele! Aquela era mesmo a mochila do John perdida há uma semana!!!

Saí do autocarro a rir sozinho só de imaginar a cara dele quando lha entregasse! O rapaz nem queria acreditar! Demorou provavelmente mais tempo a reagir ao ver-me à sua frente com a mochila na mão do que os segundos que levei a processar todo aquele exercício mental que acabei de descrever à medida que identifiquei o tesouro perdido - sim, foi isso mesmo que senti que tinha encontrado!

Ficou prometido bolo aqui para o salteador de Autocarros, que encontra mochilas viajantes perdidas... :)
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