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Desabafo de um ano de consciência pesada...

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Hoje faz um ano. Que perdi o chão por debaixo dos meus pés. Num telefonema doloroso. De voz trémula, foi a minha mãe quem me deu a notícia. Passei o dia a ponderar se deveria escrever sobre isto. Passei o ano, na verdade. Chegou talvez a hora de desabafar um pouco. Não sei, neste momento, quanto tenho a dizer ou quanto irei efectivamente escrever. Nem tão pouco sei se isto acabará publicado ou simplesmente esquecido num rascunho inacabado. No dia 12 de Dezembro de 2012 perdi o meu avô paterno. As pessoas morrem. Todos os dias. Tantas. É o ciclo natural da vida. E ele partiu com uma vida cheia de alegrias, conquistas e frutos. Ninguém poderá alguma vez desejar uma vida melhor do que a dele. E mais do que qualquer um, ele mesmo afirmava-o orgulhosamente. O meu avô Maximino foi o homem mais íntegro, mais respeitado, mais responsável, mais tudo... que eu conheci. Será sempre o melhor exemplo que terei para a minha vida. Cresci ao pé dele. Via-o todos os dias. Falav...

[ Jornal + | 31/10/2012 ] Esquisito, não: seleto!

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Hoje é um dia especial para mim. Pela primeira vez nestes 23 anos de vida alguém disse que eu não era esquisito a comer. Devo dizer que foi com grande custo que finalmente consegui este feito memorável na minha vida. A minha mãe vai, com certeza, ler estas palavras com alguma hesitação e irá muito provavelmente até indagar acerca da legitimidade desta pessoa para afirmar tal coisa. Mas o que é certo é que consegui de facto mudar, e muito, a minha forma de comer, particularmente nestes últimos dois anos. Cresci sem dar grandes trabalhos à minha mãe. E quando era mesmo pequeno então é que, segundo ela, tinha uma "boquinha santa". Comia de tudo e tudo o que ela me dava. À medida que fui crescendo, fui também me tornando mais... seleto, como eu prefixo chamar-lhe. Usava sempre a mesma desculpa, digo, justificação quando era confrontado por alguém acerca das minhas limitações gustativas: "eu só não gosto de legumes cozidos". E por conseguinte, tudo o que os incluí...

[POEMA] Sarjeta

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Hoje terminei um poema que comecei a escrever há uns dias. A inspiração surgiu da combinação perfeita de três elementos: uma foto com que me cruzei no Facebook (usada neste vídeo), o som da chuva que caía na rua e uma melodia viciante criada por um dos artistas do YouTube cujo trabalho vou seguindo, o SamYung. É um poema em memória de todos os cães, vadios ou não, que perderam a vida numa sarjeta qualquer... porque o cão é mesmo o melhor amigo do homem. E ali jazia já arrefecido, como se dormisse na mais profunda calma por baixo da chuva complacente, que lhe lavava o corpo sem alma. Levara-lha aquele que não parou, que não sentiu, que não pensou. Levara-lha sem remorso ou culpa de quem uma vida afinal roubou. Na escuridão gélida da noite, uma luz surgira vinda do nada, que tal como uma chicotada o atirou para fora daquela estrada. Os ossos que se lhe quebraram impediram-no de se mexer, ali caído numa sarjeta onde veio a acabar sem querer. A dor que se apoderou do seu c...

[ Jornal + | 11/09/2012 ] A Música

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Desde pequeno que a música tem tido um papel bastante importante na minha vida. Comecei por volta dos meus 6 anos, quando fui um dos seleccionados para integrar o primeiro coro infantil de Vilela, a minha terra Natal. Desde aí, nunca mais parei de cantar - para mal dos pecados da minha mãe, que era obrigada a ouvir-me quando queria e quando não queria. Cresci a ver concursos na televisão como Operação Triunfo, Academia de Estrelas ou Ídolos e sonhava com o dia em que atingiria 18 anos para poder finalmente participar - em especial no primeiro, por ser como uma "escola". Mas a oportunidade nunca chegou... Ainda assim, o gosto pela música cresceu lado a lado com a paixão pelo palco e a representação e durante muito tempo tive a certeza que não havia algo que quisesse mais do que entrar numa escola de artes performativas. Porém nunca tive o total apoio dos meus pais, pela assustadora insegurança que uma carreira de actor/cantor acarreta, em especial num país como o no...

[ Jornal + | 16/08/2012 ] À descoberta da História romana

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Hoje escrevo-vos de um quarto quente, numa pensão em Roma, onde nem a pobre ventoinha no tecto consegue vencer o calor. As temperaturas que se fazem sentir lá para cima, na terra dos vikings, já transformaram o meu corpo que agora tolera muito mais dificilmente este calor insuportável que nos faz suar litros de água. Tive desde adolescente o desejo de viajar até Itália, mas até emigrar para a Dinamarca, viajar era um luxo a que só tive acesso uma vez numa viagem de estudo a Londres. Hoje, aqui estou, pela segunda vez neste país, primeira na "bota". Alguns poderão dizer que esta não é a melhor altura do ano para vir a Roma, os mesmos que agora muito provavelmente estão numa zona costeira a apanhar banhos de sol, e andar por uma cidade tão rica e repleta de tesouros históricos e arquitectónicos debaixo de um sol abrasador pode ser realmente desgastaste, mas foi quando surgiu a oportunidade e não sou de as deixar passar. Estou fascinado com tudo o que vi até agora. Os...

[ Jornal + | 25/07/2012 ] O Tempo

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Dizem os estrangeiros que por aqui passam que os dinamarqueses não falam de outra coisa senão do tempo. Embora só tenho ouvido tal observação já depois de cá viver, verdade é que depressa a confirmei. É frequente cruzar-me com colegas e conhecidos e inevitavelmente comentar a descida abrupta de temperatura que se fez sentir a meio da semana, ou o sol radiante que tornou a última tarde de sábado num excelente dia de praia, ainda que domingo tenha sido de trovoada e chuva a cântaros. Pois é, fala-se do tempo por estes lados como se de uma série policial cheia de mistério e reviravoltas no guião se tratasse, tal é o interesse que o assunto parece despertar de uma forma geral nas pessoas. E até podiam vocês dizer-me que nós portugueses também falamos bastante sobre a meteorologia do nosso próprio país "à beira mar plantado". Ou até mesmo que na verdade é um hábito comum e global - afinal todos, em qualquer parte do globo, estamos sujeitos ao estado de humor de São Pedro (o...

[ Jornal + | 9/06/2012 ] Ai as Francesinhas...

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Nestas últimas semanas tenho me deparado com uma quantidade algo perturbadora de imagens de francesinhas no Facebook. Não sei se é por estarmos agora a entrar no Verão e, talvez por isso, as pessoas se sintam mais tentadas a este prato típico do Porto que cai sempre melhor acompanhado de uma cerveja bem gelada. Talvez tenha sido isso mesmo que deu origem a um autêntico assalto ao meu mural por parte de uma série de imagens de fazer crescer água na boca. Provavelmente estou apenas a receber o troco pelas frequentes fotos que publico no meu próprio mural das minhas iguarias e refeições mais apetitosas. Bem que dizem que o universo apenas nos devolve aquilo que lhe damos... A propósito de comida, uma das principais diferenças com que me deparei assim que emigrei foi justamente a gastronomia. Inúmeras conservas, molhos de todas as cores e consistências, uma variedade imensa de combinações de coberturas para "sandes" de uma única fatia de pão: o tradicionalsmørrebrød – que ...