quinta-feira, setembro 27, 2012

[POEMA] Sarjeta

Hoje terminei um poema que comecei a escrever há uns dias. A inspiração surgiu da combinação perfeita de três elementos: uma foto com que me cruzei no Facebook (usada neste vídeo), o som da chuva que caía na rua e uma melodia viciante criada por um dos artistas do YouTube cujo trabalho vou seguindo, o SamYung.

É um poema em memória de todos os cães, vadios ou não, que perderam a vida numa sarjeta qualquer... porque o cão é mesmo o melhor amigo do homem.


E ali jazia já arrefecido,
como se dormisse na mais profunda calma
por baixo da chuva complacente,
que lhe lavava o corpo sem alma.

Levara-lha aquele que não parou,
que não sentiu, que não pensou.
Levara-lha sem remorso ou culpa
de quem uma vida afinal roubou.

Na escuridão gélida da noite,
uma luz surgira vinda do nada,
que tal como uma chicotada
o atirou para fora daquela estrada.

Os ossos que se lhe quebraram
impediram-no de se mexer,
ali caído numa sarjeta
onde veio a acabar sem querer.

A dor que se apoderou do seu corpo
ninguém por ele a pôde sentir.
Já nada mais o poderia salvar
do fado a que não teve como fugir.

Somente a noite ouviu o gemido
que nem força teve para ser latido
e assim morrera sozinho e encharcado
Porque um condutor distraído lhe havia batido.


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