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[POEMA] Sarjeta

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Hoje terminei um poema que comecei a escrever há uns dias. A inspiração surgiu da combinação perfeita de três elementos: uma foto com que me cruzei no Facebook (usada neste vídeo), o som da chuva que caía na rua e uma melodia viciante criada por um dos artistas do YouTube cujo trabalho vou seguindo, o SamYung. É um poema em memória de todos os cães, vadios ou não, que perderam a vida numa sarjeta qualquer... porque o cão é mesmo o melhor amigo do homem. E ali jazia já arrefecido, como se dormisse na mais profunda calma por baixo da chuva complacente, que lhe lavava o corpo sem alma. Levara-lha aquele que não parou, que não sentiu, que não pensou. Levara-lha sem remorso ou culpa de quem uma vida afinal roubou. Na escuridão gélida da noite, uma luz surgira vinda do nada, que tal como uma chicotada o atirou para fora daquela estrada. Os ossos que se lhe quebraram impediram-no de se mexer, ali caído numa sarjeta onde veio a acabar sem querer. A dor que se apoderou do seu c...

[POEMA] Anjo da Guarda

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Dá-me um abraço. Vem, não digas nada, Não faças perguntas, Não acendas a luz, Não tires a roupa, Não me tentes beijar, Não tentes ler o que me vai na alma... Vem... e abraça-me apenas. Quero sentir os teus braços, Quero sentir-me envolvido, Quero sentir-te, Quero sentir-nos a respirar ...ao mesmo tempo, Quero... te. Ajuda-me a acordar, Ajuda-me a viver, Ajuda-me a enfrentar tudo, Ajuda-me a retirar esta máscara e a acabar com a farsa da minha vida. Onde estás tu, anjo da guarda?

[POEMA] Quero, preciso...

Quero encurtar distâncias, Preciso acelerar o tempo, Fazer acontecer, Dizer tudo, mesmo que sem palavras! Quero cometer loucuras, Preciso perder a cabeça, Fazer acontecer, Dizer ao mundo o que calo em mim! Quero escalar montanhas, Preciso ultrapassar barreiras, Fazer acontecer, E gritar... Quero, preciso... fazer... dizer... Que te amo.

[POEMA] Norte a Sul

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Sonho com um mundo sem tempo nem espaço, Onde voar é natural, onde o céu é parte e não paisagem Onde o pensamento acalma mais do que me inquieta, Onde a vontade faz acontecer mais do que desespera. Sonho em juntar continentes, ainda que os hemisférios os separem, Saltar montanhas e atravessar desertos, ou nadar oceanos completos. Sonho... apenas. E já isso não me chega. Preciso de mais e sem mais já não sei viver. O que é esta vontade que me dá a volta às entranhas? O que é este sentimento que me ferve dentro do peito? O que é esta ânsia de mais e mais... e sempre mais? Porque nunca me sentirei satisfeito? Eu sonho. Ainda. Porque "o sonho comanda a vida", Já diziam outros que também sonhavam como eu... Chegaram eles onde queriam? Sentiram eles tudo aquilo que mais do que qualquer coisa precisavam sentir? Não quero voltar-me 180 graus, porque para trás ficaram pegadas E não quero pisar o mesmo solo duas vezes. Não quero voltar-me 360, por...

[Poema] Reflex(ã)o

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Quem és tu? Pergunto a um estranho. Ele olha-me mas nada diz, Não parece querer responder-me. Estamos tão longe. Mas reconheço-lhe o jeito, E o seu rosto é-me familiar. Quem será? Tento aproximar-me, Ver mais de perto, Tocar-lhe quem sabe. Será real? Quem és tu? Responde-me! Porque sinto que te conheço? Porquê não me respondes? E de repende, Sem que pudesse voltar atrás, Desejei ter saído dali No primeiro momento em que o vi. "Porque insistes tanto em saber quem sou? Como te atreves sequer a perguntá-lo? Tu mais do que ninguém Devias conhecer-me. Porque não acendes a luz? Porque não abres mais os olhos? ...E paras de olhar, Para realmente começares a ver? Deixa-me então aproximar... Porque tremes tu agora? Porque temes tanto saber quem sou? Já descobriste? Porque insististe tanto em saber, Se não querias a resposta? Pois é, meu caro... Está na hora de deixares de te ver como um estranho."

O meu primeiro amor...

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Ontem... parece que foi ontem! Éramos apenas crianças, ainda que os anos passados não sejam tantos assim... Foste a primeira menina em que reparei, logo no primeiro dia de infantário... E foste a única razão porque achei que valia a pena permitir que a minha mãe se fosse embora todos os dias e me deixasse naquele lugar estranho... Ficámos amigos muito cedo... Tão diferentes e tão iguais... Começamos a crescer juntos! E acompanhámo-nos nessa jornada durante muitos anos! Mas foi na primeira classe que tudo começou a ficar mais sério. Lembro-me dos bilhetes que trocámos: "sim", "não", "talvez" e os quadradinhos... E às vezes ainda um "nem um bocadinho?", só para confirmar... Recordo-me das declarações que te fazia, volta e meia, entre as nossas brincadeiras debaixo daquele chorão que nos cobria com as suas folhas, ou naquele monte de terra que escavámos e moldávamos à feição da casa que queríamos ter... Recordo aquela...

Rélogios

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Queria ter netos e poder brincar com eles E ainda assim, poder beijar a pele macia da minha avó E sentir o aperto de mão firme do meu avô... Porque têm os nossos relógios de marcar tempos diferentes?

[POEMA] Mudo

porque não és T u capaz de ler os meus olhos? é a distância que nos s E para? é o castanho que os pinta que te esconde o que de mim N ão sabes? é o silêncio das palavras não ditas que te afasta da compreensão? porque ten H o eu de dizer tudo? porque nã O és tu capaz de me ler? porque não és tu capaz de ler as minhas mãos? é o suor frio que as envolve insuficiente M ente claro? é o seu inquieto pousar pouco E sclarecedor? é o seu cerrar em punho demasiado subtil para perceberes? porque tenho eu de D izer tudo? porque não és tu capaz de me ler? porque não és tu capaz de ver mais de mim que todos O s outros? porque tenho eu de dizer tudo quando tudo está escrito nos meus olhos?

Somos filhos do tempo...

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Somos filhos do tempo, Crescemos e vemos crescer o mundo à nossa volta... Cada qual ao seu ritmo, cada ser à sua maneira... Dizem-nos que há regras neste mundo, Dão-nos manuais de comportamento E lições de vida que nunca mais esquecemos... Aqueles que aqui chegaram antes de nós, Esperam que sigamos os seus passos, Mas que consigamos ser um pouco melhores do que eles... Nós que viemos depois, Desejamos ser um pouco do tanto que eles são, Ser capazes de dar um pedaçinho do que eles nos deram... Mas os manuais estão errados, As regras têm excepções, E a lei da vida nem sempre se cumpre. Crescemos e vemos crescer o mundo à nossa volta... Afinal somos todos filhos do mesmo tempo. Então porque não temos todos direito às mesmas coisas? Crianças vêm ao mundo sem pais, Porque pai é quem ama, quem educa, quem vê crescer... E não apenas quem concebe ou traz ao mundo. E pais... aqueles que verdadeiramente o querem ser E que estão prontos a amar, educar e ver crescer, Esperam indefinidamente, na in...

A irracionalidade do coração

Não sei o que tenho, estranho me sinto e nada me importa... Meu ser se entrega aos profundos e íntimos pensamentos da minha alma... E como que de assalto sinto que me entraram no coração e me pulsam cá dentro, num compasso descompassado da razão... Tudo em mim em ti se foca: meu coração que por ti bate, meu pensamento que de ti não esquece... Tivesse eu asas e a ti voaria... O meu corpo é quem mais grita, meu coração quem chora... Não consigo deixar de te ver despida de tudo o que já não importa, deitada aqui do meu lado... Meu Deus! Te tivesse eu aqui e agora, minha razão se perdia e à loucura me entregaria! Levar-te-ia à lua, levitando os dois... E as estrelas intimidadas se esconderiam ao ouvir a voz do teu prazer... Ao teu ouvido no fim, numa voz exausta, mas com cada músculo do meu corpo a desejar-te mais e mais, dizia: Quero-te para sempre, só minha! Poema escrito a 16 de Maio de 2007. Até logo.

[in a.m.o.t.e.]

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(...) — Não! Eu não aguento… – murmurou – Não aguento mais ficar ao pé de ti… Desculpa! – e continuou a descer, sem olhar para trás, enquanto as lágrimas lhe caíam pelo rosto. Nesse momento paralisei. Foram facas as suas palavras… Eu estava a fazer tudo para que ela se sentisse bem, eu queria tanto que ela me olhasse como antigamente!  (...) Estava a ouvir:  Sara Bareilles - Gravity Ando a ler:  os últimos capítulos que escrevi de a.m.o.t.e.

Recordações... [in a.m.o.t.e.]

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Às vezes, talvez propositadamente, guardamos recordações que são para nós mais importantes do que tudo num canto tão recôndito, tão inacessível, com receio que alguém as possa remexer, que acabamos por não lembrar delas… É uma defesa, afinal de contas! Mas mais tarde ou mais cedo elas voltam. Essas recordações tão bem guardadas, tão bem escondidas, num momento completamente inesperado despoletam em nós sentimentos tão cruéis, que nos ferem e nos fazem sangrar sem permitir que a ferida cicatrize de vez… Quando parecia que ela finalmente tinha fechado, algo acontece e a pele simplesmente rasga-se de novo… Excerto adaptado para poema. Estava a ouvir: "a.m.o.t.e. BSO", a revelar um dia destes! Ando a ler (há bastante tempo...): "Nos Bastidores de Hollywood", Mário Augusto.

"The first time I saw your face"

Da primeira vez que te vi, Não foi um tremor, não foi um arrepio, Não foi tal coisa o que senti. Não foi um aperto, não foi dor de certo... Não foi medo, foi ansiedade. Curiosidade... Não cruzaste os teus olhos com os meus, Não me viste, nem me olhaste sequer... Não te aproximaste... Mas não te culpo! Afinal eu era-te tão estranho Como todos os outros a quem não olhaste, não viste e não falaste... Mas nunca mais te esqueci! Sempre te olho, sempre te vejo e sempre te falo! Ainda que esteja eu mudo, fala-te o meu olhar... Estava a ouvir: " The first time I saw your face", Leona Lewis. Ando a ler: "Ensaio sobre a cegueira", José Saramago.

Palavra proíbida...

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A propósito do nome do meu novo livro, fica aqui um poema (na verdade, apenas parte dele) que escrevi há alguns anos para uma pessoa muito especial. Andava a vasculhar os meus documentos no pc e dei com ele... Neste poema que escrevo Algo especial te queria dar. Pediste as minhas palavras E elas nem se te atrevem a falar. Por mais coragem que sinta A caneta teima em cair. Respiro o mesmo ar que tu Mas o meu parece fugir… Minhas palavras pediste, Embora que noutro tempo. Agora sei o que quero dizer, Mas por medo nem tento!