terça-feira, maio 10, 2011

O meu primeiro amor...


Ontem... parece que foi ontem!
Éramos apenas crianças,
ainda que os anos passados não sejam tantos assim...

Foste a primeira menina em que reparei,
logo no primeiro dia de infantário...
E foste a única razão porque achei que valia a pena
permitir que a minha mãe se fosse embora todos os dias
e me deixasse naquele lugar estranho...

Ficámos amigos muito cedo...
Tão diferentes e tão iguais...
Começamos a crescer juntos!
E acompanhámo-nos nessa jornada durante muitos anos!

Mas foi na primeira classe
que tudo começou a ficar mais sério.
Lembro-me dos bilhetes que trocámos:
"sim", "não", "talvez" e os quadradinhos...
E às vezes ainda um "nem um bocadinho?",
só para confirmar...

Recordo-me das declarações que te fazia,
volta e meia, entre as nossas brincadeiras
debaixo daquele chorão que nos cobria com as suas folhas,
ou naquele monte de terra que escavámos e moldávamos
à feição da casa que queríamos ter...

Recordo aquela vez que atrás da cantina,
como não podia deixar de ser,
em que finalmente assumiste sentir o mesmo que eu.
Por momentos fizeste de mim o rapazinho de 8 anos mais feliz do mundo!

Pena que nem tudo o que é bom dure para sempre,
e porque a cabeça de uma miúda
ainda muito dará que estudar aos cientistas,
aquela alegria não se estendeu por muitos dias!

Além de me teres feito guardar segredo
no pouco tempo que a minha alegria durou,
- achávamos nós que os adultos jamais compreenderiam,
afinal como poderiam duas crianças se amar? -,
não me permitiste viver o sonho por muito tempo!

Mas eu continuei a amar-te!
E continuei a fazer tudo por ti...
Cada figura que um homem faz quando está apaixonado...

Troquei as cartas que deviam ser minhas,
Para ti, palavras assinadas por ele, que eu escrevia,
De ti para ele, tudo o que eu desejava ler para mim,
...e que eu merecia no fim de contas.

Fui na verdade nada menos que um pombo-correio,
e, ironia das ironias, entre ti e o meu melhor amigo,
aquele que hoje se me vir na rua não me conhece,
e que nem eu consigo reconhecer como o ideal que um dia tive!

Assisti atrás de um qualquer poste de electricidade,
num intervalo duma manhã qualquer,
no recreio onde sempre brincávamos,
ao primeiro beijo que trocaste com ele...
Enquanto eu sonhava com o meu que ficou por dar!

...se calhar não foi tanto assim atrás de um "qualquer poste",
ou numa "manhã qualquer"...
Porque há coisas que nos ficam para sempre gravadas na memória.
Hoje ainda saberia colocar-me no mesmo lugar,
naquela escola, naquele recreio, naquele "qualquer poste",
e por instantes, de certo, reviver aquele momento.

Hoje, tanto tempo depois,
lembro-me de tudo isto com um sorriso nos lábios.
Foi um amor puro, inocente, verdadeiro...
...mas não correspondido!
Para não fugir ao que parece ter-se revelado uma regra...

Já tive outros amores... grandes paixões até!
Porém só tu terás para sempre
um lugar que a mais ninguém poderá pertencer:
foste o meu primeiro amor!

Prometemos ser para sempre amigos,
e verdade seja dita que não somos o contrário,
mas a convivência de outros tempos perdeu-se,
hoje vivemos bem longe um do outro...
Somos pessoas diferentes,
Temos vidas completamente distintas...
Mas por momento algum deixei de te desejar o de sempre:
que sejas uma mulher muito feliz!

E posso revelar-te um segredo?
Por muito tempo imaginei como seria quando te casasses...
Como me sentiria ao ver-te entrar na igreja
a caminhar em direcção a outro que não eu...
O mais provável agora é ficar sem saber...
A menos que ainda me convides para esse grande dia!

E não é que esta queda para mulheres mais velhas se revelou bem de pequeno? Afinal 3 meses, são 3 meses... :)

P.S. Apeteceu-me escrever isto... para ti T., depois de ver uma foto tua por acaso no facebook. É bom recordar... e é curioso pensar no que um dia fomos ou desejámos ser e no que acabámos por nos tornar! :)

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