quinta-feira, março 27, 2014

VINTOITO, novo site pessoal

Tenho uma nova página oficial - ainda em construção - mas onde já podem ver, por exemplo, o meu trabalho enquanto LEGO Designer.

Visitem em www.marcosbessa.com.

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domingo, março 17, 2013

"Memórias d'um Espelho Qubrado" no P3

O jornal online P3 publicou esta semana um artigo sobre a publicação online do meu romance "Memórias d'um Espelho Quebrado".


Podem ler o artigo aqui.
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terça-feira, janeiro 29, 2013

[ Jornal + | 29/01/2013 ] O contador de histórias em mim

Não é segredo que gosto de escrever. É por isso mesmo que fui convidado a participar nesta página, todos os meses, com uma crónica mais ou menos interessante. A verdade é que nem sempre acredito que tenha algo realmente relevante para partilhar, mas de uma forma ou de outra, as palavras surgem no ecrã (já lá vão os tempos em que se escrevia à mão numa folha de papel, ou até mesmo numa máquina de escrever). 

No entanto, é a contar histórias que realmente me realizo enquanto escritor. Histórias que passam como verdadeiras longas-metragens na minha cabeça e me atiram para mundos paralelos, imaginários, repletos de recordações de vidas que não vivi, com pessoas que nunca conheci, mas que no entanto, me são tão familiares. 

E cada livro é um filho. Pus nele um pedaço de mim, confidências dissimuladas, sonhos revelados, ou apenas frutos de uma imaginação fértil e que necessita de ser drenada para bem da minha sanidade. É por isso que escrevo! É para meu próprio bem que preencho estes espaços brancos, sejam folhas ou apenas pedaços de um qualquer ecrã de computador, mas depois do alívio que é pôr em palavras cada história, cada experiência, é natural para mim partilhá-las, como se de uma necessidade vital se tratasse fazer chegar estas histórias a quem as quiser conhecer. 

Foi por isso que publiquei o meu primeiro romance há mais de 6 anos, “O Outro Lado da Verdade”. Foi a primeira história que terminei, quando tinha ainda 16. Desde então escrevi outras histórias, outros livros, mas nunca os publiquei. Estes últimos anos têm sido de grande descoberta para mim, a vários níveis, e outras das muitas paixões que tenho foram ganhando protagonismo no meu dia-a-dia. A escrita, porém, nunca ficou totalmente esquecida. E agora, mais do que nunca desde que me mudei para a Dinamarca, estou pronto para contar mais histórias e partilhar mais de mim sobre a forma de palavras. 

Mas antes de surgirem novidades, senti necessidade de rever e reescrever parcialmente o meu primeiro romance. Durante este processo que já leva mais de um ano, decidi dividi-lo em duas partes. A primeira, “Memórias d'Um Espelho Quebrado”, está agora publicada sobre a forma de um blogue, acessível a qualquer pessoa que queira conhecer a história de amor entre Francisco e Madalena, vivida num Portugal pós-25-de-Abril, anos antes sequer da minha própria conceção. Podem desvendar que fado teve este casal em memoriasdumespelhoquebrado.blogspot.com.

P.S. Para a minha avó Leonor, que andava triste por nunca ter sido mencionada nas minhas crónicas, aqui fica uma pequena nota: “Já tenho saudades do bacalhau com natas, 'vó!”.
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segunda-feira, janeiro 07, 2013

"Novo" livro online!


"Memórias d'um Espelho Quebrado" é a primeira parte do romance "O Outro Lado da Verdade", revista e parcialmente reescrita.

"O Outro Lado da Verdade" foi publicado em Dezembro de 2006 pela Papiro Editora, quando eu tinha ainda 17 anos. A obra original foi escrita quando tinha apenas 15/16 anos, tendo com ela, aos olhos de alguns, revelado uma maturidade e domínio da escrita notável para alguém da minha idade, como de resto o jornalista da RTP Carlos Daniel, que fez a apresentação da obra no seu lançamento oficial, fez questão de frisar.

Porém, com a idade veio mais maturidade e o acumular de experiências que de um modo ou de outro acabaram por me mudar a vários níveis. Olhando agora para trás, o lançamento de um romance com tão tenra idade continua sem dúvida a ser um dos principais marcos na minha vida, no entanto o desejo de fazer mais e melhor levou-me a pegar novamente no texto original.

Agora, quase 8 anos depois do último ponto final colocado, apresento-vos "Memórias d'um Espelho Quebrado", a primeira parte da obra, que acabou sendo dividida em duas.

E ao invés de gastar tempo e energia à procura de uma editora para publicar este trabalho, optei por trazê-la até vós sobre a forma de um blog. Assim, qualquer pessoa terá acesso ao texto integral, de forma gratuita.

Os vários capítulos serão publicados ao longo das próximas semanas, com uma regularidade ainda por determinar. A segunda parte da história, que manterá o título do romance original, "O Outro Lado da Verdade", será igualmente publicada online, porém sem ainda data determinada.

Podem começar a ler aqui.
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quinta-feira, dezembro 13, 2012

[ Jornal + | 13/12/2012 ] Se "eu" não gostar de mim...

Eu sei que a premissa deste jornal não é abordar questões negativas. Totalmente pelo contrário, como o seu próprio nome indica. Porém, desta vez não posso evitar tocar num assunto que me vem angustiando e revoltando já lá vão meses, senão mesmo uns poucos de anos. Sou um jovem ainda, imaturo no que diz respeito a tantas coisas, no entanto acredito que já tenha vivido e conquistado o suficiente para saber o verdadeiro valor e importância que tem o poder de acreditarmos em nós próprios.

Hoje, há uma hora apenas, tinha ideia de escrever a crónica para esta edição sobre um assunto completamente diferente, mas um vídeo que encontrei onlinedespoletou em mim sentimentos adversos que me dominaram por completo e que acabaram por determinar a direção que este texto está a tomar. Nesse vídeo podem ver-se imagens de Cristiano Ronaldo a jogar, ilustrando alguns dos momentos altos das últimas exibições do jogador, dando destaque ao facto de apesar de muitas vezes ter meio-mundo contra si, o jovem madeirense continua a dar cartas naquilo que melhor faz, provando o seu valor.

Este vídeo levantou em mim – mais uma vez – a questão: mas qual é o problema dos Portugueses? A minha experiência de vida fora do país não é assim tão extensa. Conheço, se muito, a cultura dinamarquesa, e isso é já suficiente para pelo menos indagar acerca do que nos define enquanto sociedade. Serve de ponto de partida. E um dos aspetos fulcrais que nos colocam à parte dos dinamarqueses, do tanto que já pude absorver, é a dimensão do orgulho que têm em si e nos seus.

Em época de futebol, é certo que o problema parece ser menor. Subitamente somos a maior nação do mundo, orgulhosos da bandeira que pendurámos à varanda. Mas quantas vezes nos rebaixamos mesmo antes de alguém de fora dizer uma palavra? Quantas vezes fomos os primeiros a questionar o nosso valor ou a denegrir aquilo que se faz em Portugal? 

Este texto não pretende ser de todo um manifesto de fanatismo pelo Ronaldo, ou por qualquer outra entidade em particular. Nem tão pouco sou adepto de futebol. Foi um vídeo sobre ele que me levou a escrever, mas poderia ter sido sobre qualquer outro Português que se destacou numa determinada área e que por isso mesmo parece ter uma legião de “haters” que parecem ter prazer em denegrir, em rebaixar, em diminuir. Ainda que estes seres humanos não sejam perfeitos enquanto tal – afinal de contas, quem o é? -, eles têm valor enquanto futebolistas, enquanto músicos, enquanto atores. E nós, portugueses, tendencialmente consideramos que os nossos talentos nunca são suficientemente bons, nunca são verdadeiramente motivos de orgulho. Muitas vezes é preciso alguém de fora vir louvar os seus talentos para que nós mesmos os saibamos reconhecer. É triste. Mas é como diz o slogan de uma certa marca: “se eu não gostar de mim, quem gostará?”. E o “eu” aqui é Portugal.
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quarta-feira, dezembro 12, 2012

Desabafo de um ano de consciência pesada...

Hoje faz um ano. Que perdi o chão por debaixo dos meus pés. Num telefonema doloroso. De voz trémula, foi a minha mãe quem me deu a notícia.

Passei o dia a ponderar se deveria escrever sobre isto. Passei o ano, na verdade.

Chegou talvez a hora de desabafar um pouco. Não sei, neste momento, quanto tenho a dizer ou quanto irei efectivamente escrever. Nem tão pouco sei se isto acabará publicado ou simplesmente esquecido num rascunho inacabado.

No dia 12 de Dezembro de 2012 perdi o meu avô paterno.

As pessoas morrem. Todos os dias. Tantas. É o ciclo natural da vida. E ele partiu com uma vida cheia de alegrias, conquistas e frutos. Ninguém poderá alguma vez desejar uma vida melhor do que a dele. E mais do que qualquer um, ele mesmo afirmava-o orgulhosamente.

O meu avô Maximino foi o homem mais íntegro, mais respeitado, mais responsável, mais tudo... que eu conheci. Será sempre o melhor exemplo que terei para a minha vida.

Cresci ao pé dele. Via-o todos os dias. Falava com ele todos os dias. E sempre ele tinha uma nova história para me contar. Como eu desejava tê-las escrito num papel. Quem me dera ter uma memória capaz de recordar com detalhe todas as lições que ele me passou. E que memória tinha ele! Lembrava-se de tudo o que viveu, das pessoas que conheceu, das dificuldades por que passou, dos obstáculos que venceu.

Toda a gente sabe quem foi o Senhor Vint'oito. Todos o conheciam. Todos o admiravam e respeitavam. Toda a gente lhe levantava a mão em cumprimento na rua, por onde quer que ele passasse. Em criança, nunca deixava de ficar admirado por mais um "estranho" lhe levantar a mão, mesmo naquela rua por onde eu nunca tinha passado. O meu avô era, para mim, a pessoa mais popular da região.

O meu avô foi o melhor avô do mundo. E não foi apenas porque me deu mimos. Porque os deu de facto. Os sugos que comprei com as moedas de cinquenta escudos que ele me dava. Os lanches no café. Os gelados. Os passeios de carro. As boleias quando mais ninguém tinha tempo ou paciência para me levar onde queria ir. Mas também as conversas sérias. As lições de vida. Os exemplos. A exigência por uma postura digna. A aprovação e valorização do meu trabalho, do meu esforço. O orgulho em mim.

Mudei-me para a Dinamarca em Outubro de 2010. Contei-lhe que ia construir com LEGO. Que ia fazer brinquedos. Que ia ser um Designer. Que ia trabalhar no que eu mais gostava. Que ia realizar um sonho. Ele não conseguia compreender exactamente o que tudo aquilo significava. Mas para ele importava apenas que eu estivesse feliz. E foi isso que ele fez questão de me perguntar antes e mais do que tudo. "Então eu também estou feliz!", respondeu-me.

Meio ano depois, quando estava de visita em Portugal para festejar o meu 22.º aniversário, reuni toda a família em minha casa para soprar as velas e comer uma fatia de bolo. Como era hábito. Na despedida daquela noite, junto à porta, ele apertou-me os braços nas suas mãos firmes e fortes e na voz mais segura que conseguiu, tentando a todo o custo não soltar as lágrimas que lhe surgiam no canto do olho, disse-me: "Eu só queria que terminasses o teu curso... Eu só queria... Eu só queria que estivesses aqui a estudar... Eu só queria que estivesses aqui..."

O meu coração desfez-se em lágrimas, dentro do peito. Os meus olhos também húmidos, sorriram o mais que puderam, quando lhe disse que estava feliz, que não precisava voltar para a faculdade para tirar o mestrado. Tinha a sorte de estar a trabalhar no que mais queria. E ele sabia disso. E sei o quanto lhe custou fraquejar e ceder à emoção e saudade que sentia dos tempos em que me teve ali ao pé de si. Ele queria o melhor para mim e não admitia, nem a si mesmo, o egoísmo de desejar algo que me tirasse aquilo que eu mais queria para mim naquele momento.

Vi-o mais duas vezes depois depois dessa viagem. No Verão, quando estive em Portugal para visitar o evento da Comunidade de fãs de LEGO de que faço parte, tive a oportunidade de o ver no seu aniversário, no entanto deixei-a passar. Estava em Portugal enquanto LEGO Designer, numa viagem de trabalho e por isso, juntamente com o facto de naquele momento ter desejado passar mais tempo com os meus "amigos do LEGO", pensei que podia faltar ao aniversário dele. Tentei convencer-me que era a minha obrigação estar lá, no evento em Paredes de Coura, mas no fundo sabia que podia ter escapado por umas horas para voltar a Vilela e lhe dar um abraço. Mesmo que tivesse de fazer mais de 100km.

Já no ano anterior tinha faltado ao seu aniversário porque estava num outro evento da mesma comunidade, também em Paredes de Coura. Toda a família reunida, menos eu. Mas eu via-o todos os outros dias, por isso tentei fazer-me crer que ele não sentiria a minha falta. Dava-lhe o abraço depois. Se arrependimento matasse...

Voltei ainda a Portugal uma outra vez nesse Verão, para duas semanas de férias. Depois, em Outubro, voltei para mais uma semana de correria, ver amigos, família, conhecidos. Jantares, idas ao cinema, saídas à noite... Numa semana apenas, não deu para passar muito tempo com ninguém. Tive de repartir as horas. Como sempre que regresso. Mas naquela semana gravei na minha pele o número 28. A prova do orgulho e amor que sinto por ele e pela família que ele me deu. No entanto não lha mostrei nessa altura. Escondi-a. Sabia que ele não aprovava a minha decisão de ter feito uma primeira tatuagem. Por isso assumi que uma segunda só seria maior razão de desagrado. Ainda que essa fosse uma homenagem a ele mesmo. "Tenho tempo... Mostrou-lhe noutra altura...", pensei.

A "outra altura" chegaria pouco mais de dois meses depois, quando estaria de regresso para o Natal. Mas ela nunca chegou realmente. Nunca mais o vi. Vivo, pelo menos.

Numa segunda-feira, dia 12 de Dezembro de 2011, tinha começado o dia mal disposto. Na noite anterior, ao regressar a Vejle de um dia bem passado em Aarhus, deixei um saco no comboio, com coisas bastante importantes. Contactei os serviços do comboio e consegui assegurar que o saco tinha sido recuperado e seria entregue nos perdidos e achados em Copenhaga. Mas teria de lá ir recuperá-lo. E as viagens até Copenhaga são caras. E com o stress que tinha vivido naquela noite sem ter a certeza se o meu saco seria recuperado ou se alguém mal intencionado pegaria nele, acabei por nem dormir direito. Depois de uma manhã curta de trabalho, voltei para Vejle e apanhei um comboio à hora de almoço em direcção à capital. Poucos minutos depois recebi um telefonema da minha mãe. Estava a ouvir música no telemóvel, como de costume. Olhei para a palavra "mãe" no visor, a música tinha parado, dando lugar ao toque de chamada. Tinha acabado de ouvir "Time flies but you're the pilot...", parte da letra de "This is Love", dos The Script. E logo depois ouvi a minha mãe, a chorar do outro lado do telefone. Não demorei muito a perceber o que tinha acontecido.

Estava num comboio cheio de gente. Literalmente rodeado de pessoas. Sentado num banco com mesa e  bancos voltados de frente para mim. Portanto, tinha duas pessoas sentadas exactamente do lado oposto e uma ao meu lado. Chorei o resto da viagem, por duas horas. Como nunca tinha chorado na minha vida. Só queria desaparecer. Queria ver o meu avô. Queria sentir o abraço dele. Queria acordar. Queria que fosse um pesadelo. O pior de sempre, mas um pesadelo. Mas só as minhas lágrimas me fizeram companhia naquela viagem. Ninguém ousou perguntar se estava bem ou se precisava de alguma coisa. Estava claramente transtornado. Não fiz questão de o esconder. Não estava sequer preocupado com isso, para dizer a verdade. Mas estava sozinho, apesar de rodeado por tanta gente.

Só consegui voo para Portugal no dia seguinte. Com duas escalas. Sendo a segunda em Lisboa. O segundo voo atrasou-se e acabei por não conseguir apanhar o avião de Lisboa para o Porto que me daria a oportunidade de chegar a tempo do funeral. Eu supliquei que me colocassem no avião, mas as portas tinham-se fechado 5 minutos antes. Eu corri o mais que pude. Mas tudo parecia querer manter-me longe do meu avô.

Não cheguei a tempo do funeral. Afinal não temos "sempre tempo", como pensamos...

Durante meses questionei-me se tinha feito a escolha certa em mudar-me para a Dinamarca. Vim para cá e deixei todos os que mais amo. Deixei de fazer parte das vidas deles. E eles da minha. Pelo menos da forma como era antes. E todo este tempo tenho carregado a culpa e o arrependimento por ter faltado aos dois últimos aniversários dele. Por não lhe ter mostrado a tatuagem que fiz por ele. Por não lhe ter dito com palavras o quanto o amo e o orgulho que tenho em ser Vint'oito.

Hoje foi um dia difícil. Esperei até ao fim para finalmente por em palavras o que me vem pesando no pensamento ao longo deste ano. O primeiro.

Agora que está escrito, agora que o desabafei, não sinto alivio. Não estou mais leve. Mas sei agora que tu que lês o meu blog, que segues o que vou aqui escrevendo, ainda que esporadicamente, ou que cá vieste parar por mero acaso, sabes o quanto o meu avô foi importante na minha vida e o grande homem que foi e sempre será.

Não sou uma pessoa de fé. Perdi-a muito cedo. Por isso não tenho por hábito, de todo, acreditar que as coisas acontecem "porque tiveram de acontecer", ou "porque há um propósito maior", "uma lição a tirar"... Porém, com a morte do meu avô, se algo, aprendi que realmente não temos tempo para tudo. Que ele voa mesmo. Mas também que somos nós que decidimos como o gastamos, para que direcção vamos...


Até sempre, avô.
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segunda-feira, novembro 12, 2012

[ Jornal + | 31/10/2012 ] Esquisito, não: seleto!

Hoje é um dia especial para mim. Pela primeira vez nestes 23 anos de vida alguém disse que eu não era esquisito a comer. Devo dizer que foi com grande custo que finalmente consegui este feito memorável na minha vida. A minha mãe vai, com certeza, ler estas palavras com alguma hesitação e irá muito provavelmente até indagar acerca da legitimidade desta pessoa para afirmar tal coisa. Mas o que é certo é que consegui de facto mudar, e muito, a minha forma de comer, particularmente nestes últimos dois anos.

Cresci sem dar grandes trabalhos à minha mãe. E quando era mesmo pequeno então é que, segundo ela, tinha uma "boquinha santa". Comia de tudo e tudo o que ela me dava. À medida que fui crescendo, fui também me tornando mais... seleto, como eu prefixo chamar-lhe. Usava sempre a mesma desculpa, digo, justificação quando era confrontado por alguém acerca das minhas limitações gustativas: "eu só não gosto de legumes cozidos". E por conseguinte, tudo o que os incluísse, especialmente sopas.

E era verdade (se ignorarmos fígado, orelha de porco, pata de galinha, e essas coisas estranhas que não compreendo como é que foram acabar introduzidas na nossa gastronomia)! Eu realmente detestava comer legumes. E arrisco dizer que a culpa era da minha mãe que talvez não se tenha esforçado o suficiente para os tornar interessantes e atrativos nos pratos que me confecionava. (Desculpa, mãe, mas ninguém é perfeito!)

Agora que cozinho para mim e que tive, entretanto, oportunidade de contactar com outras cozinhas completamente diferentes da nossa tradicional forma de cozinhar em Portugal, em que tudo é estufado ou cozido até quase se obter um puré que, juntamente com pedaços do pão de ontem faz uma sopa pesada capaz de alimentar para o resto da semana, vejo como estava enganado ao pensar que nunca iria ser capaz de apreciar uma courgette, ou as folhas verdes da tronchuda, ou uma simples cenoura cozida.

Devo reforçar que nunca fui esquisito quanto a tudo o que era legumes crus preparados numa salada. Mas quando passava daí, a coisa mudava significativamente de figura. Até na noite de Natal a única coisa que escapava para o meu prato era as batatas e o bacalhau. Mas depois, à medida que fui crescendo, e me fui propondo a experimentar mais sabores, fui permitindo que o meu paladar evoluísse também. Hoje posso dizer orgulhosamente que como praticamente de tudo - dentro do que é considerado tradicional na nossa gastronomia, pelo menos!

Evoluí de tal forma na minha forma de comer que tudo o que cozinho inclui sempre legumes. É inegável o papel que estes têm numa dieta saudável e equilibrada e isso nunca sequer foi posto em causa. Talvez também daí tenha me esforçado por mudar. E a mudança foi tal que os legumes se tornaram mesmo na base principal das minhas refeições! Para terem uma ideia, até sopas faço! Agora aquelas coisas como o fígado e a cabeça do galo do arroz de cabidela... Nheec... Era preciso morrer e nascer de novo!
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quinta-feira, setembro 27, 2012

[POEMA] Sarjeta

Hoje terminei um poema que comecei a escrever há uns dias. A inspiração surgiu da combinação perfeita de três elementos: uma foto com que me cruzei no Facebook (usada neste vídeo), o som da chuva que caía na rua e uma melodia viciante criada por um dos artistas do YouTube cujo trabalho vou seguindo, o SamYung.

É um poema em memória de todos os cães, vadios ou não, que perderam a vida numa sarjeta qualquer... porque o cão é mesmo o melhor amigo do homem.


E ali jazia já arrefecido,
como se dormisse na mais profunda calma
por baixo da chuva complacente,
que lhe lavava o corpo sem alma.

Levara-lha aquele que não parou,
que não sentiu, que não pensou.
Levara-lha sem remorso ou culpa
de quem uma vida afinal roubou.

Na escuridão gélida da noite,
uma luz surgira vinda do nada,
que tal como uma chicotada
o atirou para fora daquela estrada.

Os ossos que se lhe quebraram
impediram-no de se mexer,
ali caído numa sarjeta
onde veio a acabar sem querer.

A dor que se apoderou do seu corpo
ninguém por ele a pôde sentir.
Já nada mais o poderia salvar
do fado a que não teve como fugir.

Somente a noite ouviu o gemido
que nem força teve para ser latido
e assim morrera sozinho e encharcado
Porque um condutor distraído lhe havia batido.


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terça-feira, setembro 11, 2012

[ Jornal + | 11/09/2012 ] A Música

Desde pequeno que a música tem tido um papel bastante importante na minha vida. Comecei por volta dos meus 6 anos, quando fui um dos seleccionados para integrar o primeiro coro infantil de Vilela, a minha terra Natal. Desde aí, nunca mais parei de cantar - para mal dos pecados da minha mãe, que era obrigada a ouvir-me quando queria e quando não queria.

Cresci a ver concursos na televisão como Operação Triunfo, Academia de Estrelas ou Ídolos e sonhava com o dia em que atingiria 18 anos para poder finalmente participar - em especial no primeiro, por ser como uma "escola". Mas a oportunidade nunca chegou...

Ainda assim, o gosto pela música cresceu lado a lado com a paixão pelo palco e a representação e durante muito tempo tive a certeza que não havia algo que quisesse mais do que entrar numa escola de artes performativas. Porém nunca tive o total apoio dos meus pais, pela assustadora insegurança que uma carreira de actor/cantor acarreta, em especial num país como o nosso.

Apesar de não me ter tornado num actor ou músico - ainda! -, vou mantendo estas actividades bem presentes no meu dia-à-dia o mais que posso, sobretudo no que diz respeito à música. Não tenho o sonho de vender discos e fazer digressões, nem tão pouco ouso acreditar que tivesse talento suficiente para tal. Mas adoro estar em palco e cantar, seja com o meu coro de gospel aqui em Vejle, onde vivo, ou nas noites de Karaoke às quintas-feiras no Corners, um pub enfumaçado que não toleraria não fosse ele o único da zona com esta actividade.

Ontem tive o meu primeiro concerto ao ar livre com o coro New Birth, em Aarhus. E tive direito a um solo! Correu tudo bem, as pessoas gostaram e a energia estava ao rubro! Foi para mim, sobretudo, um momento de pura adrenalina e emoção, com uma alegria e satisfação que poucas coisas me dão na vida. Afinal, quem canta seus males espanta, não é verdade?
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quinta-feira, agosto 16, 2012

[ Jornal + | 16/08/2012 ] À descoberta da História romana

Hoje escrevo-vos de um quarto quente, numa pensão em Roma, onde nem a pobre ventoinha no tecto consegue vencer o calor. As temperaturas que se fazem sentir lá para cima, na terra dos vikings, já transformaram o meu corpo que agora tolera muito mais dificilmente este calor insuportável que nos faz suar litros de água.

Tive desde adolescente o desejo de viajar até Itália, mas até emigrar para a Dinamarca, viajar era um luxo a que só tive acesso uma vez numa viagem de estudo a Londres. Hoje, aqui estou, pela segunda vez neste país, primeira na "bota". Alguns poderão dizer que esta não é a melhor altura do ano para vir a Roma, os mesmos que agora muito provavelmente estão numa zona costeira a apanhar banhos de sol, e andar por uma cidade tão rica e repleta de tesouros históricos e arquitectónicos debaixo de um sol abrasador pode ser realmente desgastaste, mas foi quando surgiu a oportunidade e não sou de as deixar passar.

Estou fascinado com tudo o que vi até agora. Os meus olhos estão cansados e o cérebro já não é capaz de processar muito mais imagens. Também por isso comprei um livro com imensa informação para depois, com tempo, rever e relembrar tudo o que vi e ouvi da boca da mais empolgante e cativante guia turística que alguma vez conheci - ou de que sequer ouvi falar!

Cruzei-me com a Fee, uma inglesa de 49 anos dos arredores de Liverpool, numa primeira visita guiada às ruínas do Fórum Romano, logo depois de ter visitado o famoso coliseu. Depois de aproximadamente uma hora a caminhar por entre pedaços de história, alguns com mais de dois milhares de anos, a energia daquela ex-professora de química manteve-se inalterada e era de tal forma contagiante que não pensei duas vezes antes de me inscrever para uma segunda visita guiada com ela, desta vez ao Museu do Vaticano e Capela Sestina. Felicity - nome de baptismo desta senhora -, foi a maior prova que alguma vez tive de que o amor pelo que fazemos é sem dúvida o mais importante ingrediente para o sucesso, ou não tivesse ela emigrado para Itália há quatro anos, sozinha, à procura de satisfazer o seu maior desejo de viver perto deste colosso de história.
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