terça-feira, novembro 25, 2008

Sede de escrever...

E já lá vão uns mesitos desde o meu último post...... é verdade......

Confesso, desde já, que esta pausa prolongada deveu-se em grande parte à preguiça... Mas também à falta do que escrever!

Tenho andado bastante atarefado com a faculdade e o tempo livre não tem abundado... Estou com o meu terceiro livro parado há algumas semanas. Mas sinto falta de escrever! Nas férias de Natal o tempo não vai chegar para tudo o que lhe estou a guardar, mas para pôr alguma da escrita em dia terá de dar! ;)

Quanto a leituras também tenho andado muito fraco! Estava todo entusiasmado com Saramago assim que terminei de ler "O Ensaio Sobre a Cegueira", mas logo o entusiasmo passou quando comecei a ler "As Intermitências da Morte"... Não quero dizer que este livro perde em qualidade em relação ao primeiro que li do mesmo autor, mas a verdade é que a grande motivação que me fez ler "O Ensaio Sobre a Cegueira" (ainda) não existe para "As Intermitências da Morte"! E essa "motivação", essa força maior que me fez ler também "Anjos & Demónios", é justamente saber que está para sair o filme baseado no livro. :D

Eu adoro cinema! Mais do que literatura, mas sei que uma coisa não se faz sem a outra.... De qualquer forma (e lamento se estou a ir contra a ideia de alguém), prefiro ver um bom filme a ler um "bom livro".... ;D

Uma coisa curiosa que ouço tantas vezes acerca dos filmes que resultam de obras literárias de sucesso é a sua "relativa" falta de qualidade, ou seja, para muita gente um filme nunca poderá ser melhor que o livro que lhe serviu de inspiração. Para mim as coisas não são assim tão práticas ou rectilíneas! Acho que simplesmente consigo separar as duas artes: um filme será sempre a condensação máxima de um livro, com uma visão de um estranho, muito provavelmente bem distante da nossa própria visão, mas nem por isso deixará de poder ser um bom filme! Pelo menos é assim que eu vejo as coisas....... :)

E tudo isto para dizer que já vi "O Ensaio Sobre a Cegueira", o filme....... E simplesmente..... Adorei! Mais uma vez há que fazer algumas confissões que poderão ter marcado a diferença nesta minha opinião..... Primeiro comecei a ler o livro justamente por saber que este ia passar para o cinema; em segundo lugar, já conhecia o elenco antes de ter começado a ler o livro, ou seja, inevitavelmente as personagens ganharam corpo e alma "ao meu gosto", mas com um rosto idêntico ao que mais tarde eu vim a encontrar no filme, e isso criou desde logo uma proximidade muito grande entre o que eu tinha imaginado e o que eu realmente vi no cinema... Depois, também fui acompanhando atentamente o blog do realizador Fernando Meirelles ao longo de todo o processo de realização/produção do filme, onde pude ir tomando conhecimento de alguns pormenores, algumas visões do próprio realizador em relação a determinados aspectos do livro....

Tudo valeu a pena! Fiquei bastante satisfeito com o resultado final..... ;)
Ao Fernando Meirelles, os meus parabéns! A Saramago, a minha admiração!

Nota-se perfeitamente que estive bastante tempo sem aqui escrever! ;D Perdi a conta às palavras........

Prometo que vou tentar escrever menos, mais mais vezes daqui para a frente! ;)

Até logo!

Estava a ouvir: August Rush Original Soundtrack
Ando a ler: muito pouco..... ou mesmo nada!


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quarta-feira, julho 02, 2008

a.m.o.t.e. - um cheirinho...

"Quando acordei hoje de manhã, sentia-me cansado, parecia que tinha acabado de me deitar quando o despertador tocou. Eram 7h15 e lá estava o rádio a tocar nas alturas. Levantei-me, fui até ao quarto-de-banho e olhei para o espelho. Estava com olhos de quem não tinha dormido nada. E não tinha! Tinha saído da cama durante a noite e ido pintar para um jardim qualquer… Pelo menos era essa a sensação que eu tinha. Foi tão estranho recordar de repente tudo o que tinha sonhado, tão claramente como se o tivesse vivido de verdade no dia anterior!

Mas o que me deixou mais intrigado foi, provavelmente, a paisagem que eu estava a pintar no sonho… Aquele vale, aquele lago… o banco de jardim… a mulher… Todos aqueles elementos me eram familiares!

Andei o dia inteiro a matutar no assunto e quando finalmente cheguei a casa, fui ao meu ateliê e vasculhei todos os meus quadros. Até desembrulhei alguns que já tinha embrulhado! Revi imagens que já nem me lembrava de ter pintado! Mas lá encontrei o que procurava! Era exactamente a mesma paisagem que eu estava a pintar debaixo daquela árvore. Tinha pintado aquele quadro há mais de dez anos! Foi o meu primeiro quadro a óleo. E aquela paisagem, como todas as que eu pinto, não existe nem nunca existiu… Pelo menos idêntica, não! Apenas fragmentada… Cada elemento tinha sido absorvido por mim em passeios, em fotografias, em filmes… E depois tudo combinado originou uma paisagem que apenas eu conhecia, que apenas eu sabia da sua existência… uma paisagem minha! Um vasto arvoredo, do outro lado de um vale, onde havia um pequeno lago, e uma mulher sentada num banco de jardim a ler um livro…

Foi aí que eu percebi o porquê de ter sentido que conhecia aquele local. E claro que ela me sorria… ela conhecia-me de facto! Eu tinha-a pintado! Durante várias noites ela me observara de soslaio sobre o seu livro enquanto eu terminava de pintar o relvado, e o lago, e os arbustos… Mas eu não a pude reconhecer! No meu quadro ela está demasiado pequena para que se lhe distingam os traços do rosto.

Foi interessante rever o meu primeiro trabalho a óleo. Já o pintei há tantos anos que é mais do que normal notar-se uma grande diferença no domínio da técnica em relação aos meus quadros mais recentes. E ainda bem que assim é!

É engraçado poder ver hoje como pintava há dez anos atrás…"


Estava a ouvir:
"Elephant", Damien Rice.
Ando a ler (ainda que pouco): "As intermitências da morte", José Saramago.

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segunda-feira, junho 23, 2008

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

Ontem terminei de ler o "Ensaio sobre a cegueira". Demorei duas semanas, exactamente 14 dias (sim, porque duas semanas - contem como quiserem - não têm mais do que 14 dias!). Como ando em altura de exames, não podia ler ao ritmo que desejava, ia lendo quando dava... Porém, quase todos os dias de manhã, o ritual se repetia: o despertador tocava às 9 ou 9h15, mas só me levantava depois das 10h... Levava o livro para a casa de banho e antes de entrar no banho lia sempre, pelo menos, um capítulo. O tempo era pouco, o estudo andava atrasado, mas mesmo assim lá ficava eu a ler até chegar ao fim daquele capítulo para pousar o livro.

Comecei por querer ler este livro quando soube que estava em início de produção a adaptação cinematográfica do mesmo. A curiosidade aumentou, confesso, ao saber que se tratava de uma produção hollywoodesca!

Aqui fica o trailer!



Adorei o livro e estou com vontade de ler mais Saramago (ainda ontem comecei a ler "As intermitências da morte"), no entanto, o seu modo ímpar de escrever não é o que mais me fascina. É a sua fria, mas ao mesmo tempo humana e directa forma de pintar aqueles quadros que tanto perturbam quem está tão habituado à vida que naturalmente leva. "Ensaio sobre a cegueira" não é um livro que se leia procurando desvendar um mistério, ou em que se torça para que um casal apaixonado fique junto no final, ou do qual se pretenda tirar uma conhecimento específico, uma aprendizagem... Não é nada disto, e é tudo isto ao mesmo tempo! Inevitavelmente começamos a buscar nas palavras de Saramago a resposta ao que é de verdade a essência humana, até que ponto seremos capazes de chegar numa situação tão adversa como a que povoa o país (imaginário) de Saramago!

Aconselho!

P.S. Sabem o que disse José Saramago ao realizador Fernando Meirelles depois de terem assistido à estreia do filme? "Estou tão feliz por ter visto este filme, como quando acabei de escrever o livro!"... Só aumentou ainda mais a minha curiosidade! ;)

Até logo...
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quinta-feira, junho 19, 2008

"The first time I saw your face"

Da primeira vez que te vi,
Não foi um tremor, não foi um arrepio,
Não foi tal coisa o que senti.
Não foi um aperto, não foi dor de certo...
Não foi medo, foi ansiedade. Curiosidade...

Não cruzaste os teus olhos com os meus,
Não me viste, nem me olhaste sequer...
Não te aproximaste...
Mas não te culpo! Afinal eu era-te tão estranho
Como todos os outros a quem não olhaste, não viste e não falaste...
Mas nunca mais te esqueci!
Sempre te olho, sempre te vejo e sempre te falo!
Ainda que esteja eu mudo, fala-te o meu olhar...


Estava a ouvir:
"The first time I saw your face", Leona Lewis.
Ando a ler: "Ensaio sobre a cegueira", José Saramago.

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segunda-feira, junho 16, 2008

Palavra proíbida...

A propósito do nome do meu novo livro, fica aqui um poema (na verdade, apenas parte dele) que escrevi há alguns anos para uma pessoa muito especial. Andava a vasculhar os meus documentos no pc e dei com ele...

Neste poema que escrevo
Algo especial te queria dar.
Pediste as minhas palavras
E elas nem se te atrevem a falar.

Por mais coragem que sinta
A caneta teima em cair.
Respiro o mesmo ar que tu
Mas o meu parece fugir…

Minhas palavras pediste,
Embora que noutro tempo.
Agora sei o que quero dizer,
Mas por medo nem tento!

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