sábado, julho 10, 2010

A irracionalidade do coração

Não sei o que tenho,
estranho me sinto e nada me importa...
Meu ser se entrega aos profundos e íntimos pensamentos da minha alma...
E como que de assalto
sinto que me entraram no coração e me pulsam cá dentro,
num compasso descompassado da razão...
Tudo em mim em ti se foca:
meu coração que por ti bate,
meu pensamento que de ti não esquece...
Tivesse eu asas e a ti voaria...

O meu corpo é quem mais grita,
meu coração quem chora...

Não consigo deixar de te ver
despida de tudo o que já não importa,
deitada aqui do meu lado...

Meu Deus!

Te tivesse eu aqui e agora,
minha razão se perdia e à loucura me entregaria!
Levar-te-ia à lua, levitando os dois...
E as estrelas intimidadas
se esconderiam ao ouvir a voz do teu prazer...

Ao teu ouvido no fim,
numa voz exausta, mas com cada músculo do meu corpo a desejar-te mais e mais, dizia:
Quero-te para sempre, só minha!


Poema escrito a 16 de Maio de 2007.
Até logo.

6 comentário(s):

Daniela disse...

Qualquer coisa de fantastico!!
*.*

elias moreira disse...

Olha vou-te ser muito sincero: o poema esta muito bem escrito! =)
Começas muito muito bem, mas nao gosto da conclusao do poema :s poderias ter transmitido a mesma mensagem num tom mais subtil, e substituido algumas expressoes um pouco ja 'gastas' por outras mais retocadas. Lembra-te que o invulgar faz o diferente, e o diferente realiza-nos!!

de qualquer forma, muito bem, claro =)

Marcos Bessa disse...

Obrigado a ambos pelos comentários! :)

Elias, concordo perfeitamente que o final do poema pode soar um tanto ou quanto "vulgar", mas foi escrito há 3 anos e muito provavelmente diria hoje a mesma coisa de forma bem mais subtil... não sei... de qualquer forma, quis partilhar o poema tal e qual foi escrito num dia em que a falta de uma pessoa falou mais alto e o desejo do corpo era intenso! :)

Armanda Dias disse...

O poema está lindíssimo! (:
Talvez para o leitor a substituição das palavras tenha outro impacto mas para o escritor não é a mesma coisa. O mais importante é sentir que se coloca o que se sente no que se escreve, o resto vem por acrésimo.
Tive Literatura Portuguesa no secundário e aprendi imenso. Posso dizer que não sou uma especialista na matéria mas adquiri uma bagagem literária que me fez ver a escrita com outros olhos.
Este texto tem várias semelhanças com autores que já estudei e posso dizer-te que mesmo assim o que escreveste não perdeu a sua beleza. Se analizares a poesia contemporânea apercebeste de que os autores seguem muito as mesmas linhas ou que dentro da sua escrita as suas produções pouco ou nada mvariam, o que não os impede de terem belíssimas obras.
Continua a escrever... :)

Marcos Bessa disse...

Obrigado, Armanda!

É sempre bom ler palavras de quem dedica um pouquinho do seu tempo às nossas coisas, ainda mais quando são tão simpáticas...

Volta sempre! ;)

elias moreira disse...

Sim, de facto este é o teu registo!
Aliás, é uma característica que ja te havia apontado quando li todas as tuas coisas: ao ler, estou a ouvir-te falar!
Tudo vai da interpretação, tudo vai do sentimento que colocas, tudo vai do que o leitor sente e imagina ao ler! Repara, são três 'pessoas': quem sente, quem escreve e quem lê.
O 'quem lê' nao deve ser o mais importante, deve sim ser aquele que te da outros pontos de vista sobre o que versaste. Ao escritor cabe-lhe (ou não!) uma tarefa difícil: tapar todas as falsas interpretacoes que possam ser dadas à sua escrita. Um objectivo? Hum, não sei! =)
Sim, de facto, eu também te consigo 'comparar' a algo contemporâneo: o poço de prazer e fogo de Florbela Espanca, a simplicidade de Eugénio de Andrade, António Ramos Rosa e o 'Não posso adiar o amor para outro século', ou o versar simples sobre uma coisa que é algo concreta (embora, aqui, nada demonstre impessoalidade) de Sophia de Mello Breyner!

Estás num bom caminho =)

Keep going!

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